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Ele recusou
o papel de um metrossexual em Cobras
& Lagartos antes de acertar com o
SBT: “Ele (metrossexual) não
ia acrescentar em nada na minha carreira
e na minha vida. Eu
não quero mais fazer um bobinho, um cara
fútil. Queria um
cara de conteúdo”, diz ele |
Dado Dolabella estreou na Globo em Malhação,
em 2001. Nesses cinco anos, a pinta de galã
lhe valeu páginas e páginas em jornais
e revistas. Mas não mais do que outros
atrativos, como os namoros com belas mulheres,
como a atriz Deborah Secco, a cantora Wanessa
Camargo e a apresentadora Adriane Galisteu, atrasos
em gravações, discussões
em público e em programas de tevê
– foi acusado de ofender integrantes da
Velha Guarda da Portela no Carnaval de 2005 e
criticado por brigar com o apresentador João
Gordo em programa da MTV. Pouco antes de posar
para Gente, a poucos dias de sua estréia
como protagonista da novela Cristal,
do SBT, que aconteceu em 5 de junho, Dado comentou:
“Eu acho que a minha presença incomoda.
Não sei se é porque eu já
fiquei com muitas mulheres e isso incomoda os
homens”.
Se depender da nova conquista amorosa de Dado
– e se a declaração dele
tiver um fundo de verdade – os que o invejam,
que confiram a cena. Dado assumiu em público
o namoro com a atriz Luana Piovani, em cartaz
em São Paulo com a peça O
Pequeno Príncipe. Aos 29 anos, Luana
carrega no currículo os mesmos ingredientes
da curta trajetória de Dado. Namoros
com beldades, como Rodrigo Santoro, Marcos Palmeira
e Paulo Vilhena. E uma coleção
de polêmicas – foi fotografada sem
calcinha na Academia Brasileira de Letras, na
noite em que recebeu o prêmio de melhor
atriz de teatro, e acusada de fazer apologia
às drogas ao admitir em entrevista que
de vez em quando fumava maconha.
Já há amigos em comum brincando
que a simples união entre Dado e Luana
dispensa que se acenda o pavio de uma bomba.
O ator, porém, não quer que esse
seja mais um caso explosivo em sua vida. Recentemente,
ele procurou um escritório de comunicação
para dar uma guinada na imagem que construiu
nesses cinco anos. Desde então, não
dá declarações sobre namoradas
(atual ou ex) e foge de polêmicas. Tem
agido assim depois que começou a sair
com Luana, com quem é visto desde o Dia
dos Namorados, quando dividiu a mesma mesa de
um bar, em São Paulo.
Na semana seguinte a esse primeiro encontro
em público, Dado e Luana, recém-separada
de Rico Mansur, foram flagrados numa casa noturna
e numa locadora de DVDs. Procurado, o ator manteve
o silêncio, mas não contava com
a espontaneidade de Luana. Na terça-feira
4, ela confirmou em um shopping de São
Paulo ser mais do que colega de profissão
de Dado: “Sim, estou namorando o Dado”.
No dia seguinte, aconteceu a cena final da novela
de que o protagonista teimava em guardar segredo:
Dado e Luana foram fotografados aos beijos num
restaurante paulistano. “Luana é
linda, boa companheira. Meu filho está
bem em São Paulo, contente, namorando.
Quer maior prazer que um filho feliz?”,
diz Pepita Rodrigues, mãe de Dado. “Ainda
não conheço a Luana a fundo. Ano
passado, estive com ela duas, três vezes,
na gravação de um comercial, ela
veio me cumprimentar. Mas o dia em que eu a
conhecer, sei que vou gostar. Ela é encantadora.”
Namoros, como o de Luana, e polêmicas,
como a saída da Globo e a ida para o
SBT, pontuam a biografia desse ator de 25 anos,
parafraseando Roberto Carlos, com fama de mau.
Em abril passado, Dado desistiu de interpretar
um metrossexual em Cobras & Lagartos
durante o workshop da novela, quando
os atores e seus respectivos personagens são
apresentados para todo o elenco. “Eu não
senti vontade de fazer o personagem. Ele não
ia acrescentar nada na minha carreira e na minha
vida”, explica Dado. “Eu não
quero mais fazer um bobinho, um cara fútil.
Eles vão ridicularizar o metrossexual.
Eu queria um cara de conteúdo.”
O ator afirma que o diretor da trama da Globo,
Wolf Maia, havia oferecido a ele como segunda
opção o papel de um motoqueiro
e que nesse workshop Wolf não
teria bancado essa escolha de Dado. O diretor
diz que a intenção de viver o
motoqueiro na trama partiu de Dado. “Infelizmente
não dava para ser o Dado. O personagem
é mais velho, tem uma bagagem, um passado”,
explicou ele. “Dado é imaturo como
profissional. Não sabe se quer ser ator
ou cantor.” O ator rebate: “O imaturo
é ele (Wolf) ao me criticar
por uma decisão minha. Está na
cara que está ofendido de eu não
fazer a novela dele”.
Ao fechar as portas da Globo, Dado viu com
bons olhos o convite para interpretar João
Pedro em Cristal, do SBT, e cantar
o tema de abertura da novela. Inclusive porque
a história do personagem é semelhante
de seu pai, o ator Carlos Eduardo Dolabella,
morto em 2003. Em Cristal, João
Pedro sofre imposição da madrasta
para ser empresário, mas sonha ser artista.
Na vida real, Valentim Bouças, bisavô
de Dado, depositava a confiança no futuro
dos negócios no neto, Carlos Eduardo,
o homem mais velho da família à
época – o herdeiro, portanto. Valentim
foi coordenador das negociações
da dívida externa brasileira junto ao
governo dos EUA, consultor financeiro pessoal
do presidente Getúlio Vargas e um dos
responsáveis pela chegada da Coca-Cola
e da IBM ao País. “Morando na Suíça,
com 26 anos, meu pai disse para o meu bisavô
que queria ser ator”, conta Dado. “Meu
bisavô deixou cair a xícara de
café e falou: ‘Eu tenho um neto
veado’. Meu pai brigou com meu bisavô
e voltou para o Brasil para ser artista.”
Tal dilema na trama do SBT, que trouxe o diretor
Herval Rossano, que dirigiu o sucesso A
Escrava Isaura, na Record, e outros atores
da Globo, não tem alavancado a audiência
da emissora. A novela estreou com 9 pontos de
média e, hoje, atinge dois a menos. Silvio
Santos já estuda mudanças. Dado,
porém, enxerga um ponto positivo em Cristal:
“A concorrência é necessária
para a Globo crescer. Ela vai deixar de usar
o nepotismo, vai deixar de fazer panelinha,
para trabalhar com os melhores”.
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