Entrevista  
Buaiz atuou nos bastidores
da turnê de Wanessa Camargo
ao lado da sogra Zilú, empresária da cantora: “Me perguntaram se
eu estava com vergonha de assinar a turnê como produtor.
De forma alguma. Vou ter vergonha da minha mulher? Jamais”
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Marcus Buaiz
‘‘Wanessa me conquistou por ser humilde’’
O empresário que aos 28 anos fatura R$ 20 milhões
diz que não precisa do dinheiro nem da fama da
namorada e conta que a primeira vez que andou a
cavalo foi na fazenda de Zezé Di Camargo

Camila Pati
fotos: claudio gatti

Filho de um grande empresário do Espírito Santo, Marcus Buaiz
poderia ter ficado em Vitória, sua cidade natal, para cuidar dos
negócios da família. Ao sair em busca dos próprios sonhos, virou empresário de entretenimento. Dez anos depois, aos 28 anos,
comanda uma produtora de eventos, a MBuaiz, com faturamento anual de R$ 20 milhões. É o responsável, junto com a sócia Eloysa Simão, pelo Oi Fashion Tour, produz o Vitória Pop Rock e está envolvido na
co-produção de dois longas-metragens. Não pára por aí. É um dos sócios da Ilha do Arroz, empreendimento de lazer e badalação em Angra dos Reis, e acaba de inaugurar uma casa noturna no centro de São Paulo, o Royal, que tem na sociedade, entre outros, Marcelo Falcão, vocalista de O Rappa. Com tantos negócios e uma gastrite de fundo nervoso, ainda encontrou tempo para ajudar na produção da turnê nacional da namorada Wanessa Camargo. Nesta entrevista, ele conta como foi mergulhar no universo sertanejo dos 2 Filhos de Francisco, afirma que não teve problemas em trabalhar com a sogra e revela o segredo para fazer negócios com amigos.

Como é misturar amizade e trabalho, já que tem Falcão
como sócio?

Eu e o Falcão somos amigos há 7 anos, bem antes de O Rappa ser O Rappa. É um cara que começou do nada. Tem uma filosofia de vida parecida com a minha. Sinto necessidade de falar com o Falcão toda semana. Já éramos amigos e optamos por fazer esse negócio juntos. Na Ilha do Arroz, tenho sociedade com Luciano Huck, Alexandre Accioly e André Calainho. Sou amigo também do João Paulo Diniz, que é o maior empresário jovem do País, e fui sócio do Pedro Paulo Diniz, na boate Lotus. Eu me relaciono tanto com favelado quanto com rico. Sou amigo dessas pessoas, mas não precisamos fazer negócios juntos. Nenhuma das oportunidades de negócio com amigos meus terminou por desencontro de pensamentos. A prioridade é a amizade.

Como dono de boate e produtor de eventos, já viu
muita carteirada?
Tem uns caras que se sentem mais importantes porque estão na mídia. Quem tem talento é seguro. A gente vê todos os dias exemplos de uns comédias que só porque aparecem na tevê se sentem no direito de criar situações. Que mundo é esse? Já tive oportunidade de ir a festas no mundo inteiro, de ver pessoas de Hollywood. Uma vez, estava no restaurante Pastis, em Nova York, e vi a Julia Roberts na varanda, de frente para as pessoas. Aqui, estou cansado de ver atores que se sentam de costas em restaurantes para não serem vistos. Fica em casa, então. A Wanessa me conquistou por ser humilde.

Como foi para um jovem urbano mergulhar no mundo dos
2 filhos de Francisco?
Foi um aprendizado de vida entender que pessoas como Zezé Di Camargo e Luciano sofreram preconceitos e tiveram a chance de poder dar certo na vida. Outro dia me perguntaram se eu não estava decepcionando o público pop porque fui a um show deles, pois Zezé é brega. Respondi: ‘Existe algum grupo mais pop do que eles no Brasil?’. São 22 milhões de cópias vendidas. Lançaram um filme em vida, que tem a maior bilheteria da retomada do cinema brasileiro. Na América Latina, não existe nada parecido com show deles. Zezé Di Camargo e Luciano são pop, sim! O dia em que Zezé foi à Ilha do Arroz, a elite se rendeu a ele. Várias personalidades foram lá e foi ele quem mais chamou a atenção.

O que aprendeu com os Camargo?
Existe uma união muito grande entre eles, um ambiente familiar positivo, a vontade de ver os outros bem. Saber que a minha namorada foi criada assim é uma honra.

O filme ajudou a diminuir o preconceito em relação à Wanessa?
Levei a música “Amor, Amor” para um cara muito importante do cenário Pop Rock brasileiro e ele falou que era maravilhosa. Depois que disse que era da Wanessa, existiu preconceito porque ela é filha do Zezé Di Camargo. Mesmo depois do filme, as pessoas têm esse pensamento. Mas acima do preconceito está o talento.

O que você acha de misturar trabalho, amor e família?
Tudo o que fiz para Wanessa foi por amor e por acreditar nela. Minha empresa sequer foi remunerada. Se ela me dissesse que queria me contratar, eu não iria. Mas vou apoiá-la sempre.

Como foi trabalhar com a sogra?
Sou muito grato pelo fato de Zilú e Zezé terem acreditado em mim. Minha função foi agregar. Mas na hora de discutir a sandália da Wanessa é com a Zilú, que é a empresária. As pessoas talvez gostariam de ver alguma coisa dando errado, mas vão se dar mal porque estamos trabalhando juntos por opção, não porque eu precisei ou a Wanessa precisou. Meu dinheiro, ganho nas minhas coisas. Me perguntaram se eu estava com vergonha de assinar a turnê como produtor. De forma alguma. Vou ter vergonha da minha mulher? Jamais.

Como é sua relação com o Zezé?
Admiro o homem, o pai e o mito do entretenimento. É um cara que daqui a cem anos vão ter que citar. Por que o prêmio Multishow não avalia o trabalho deles? Não é um prêmio da música? Não vou apelar para demagogia e dizer que cresci ouvindo música sertaneja, mas
estou falando como empresário do entretenimento. Depois da minha relação com a Wanessa, passei a ouvir a dupla. Antes, nunca tido
ido a um show deles.