Diversão & arte - Gastronomia  
Perfil - Piero Incisa Della Rochetta
O produtor do mito dos mitos
Fernando Oliveira
Claudio Gatti
Piero Incisa Della Rochetta, dono da Tenuta
San Guido, que produz o “Sassicaia”

Dois anos antes do nascimento de seu herdeiro, o Marquês Mario Incisa Della Rochetta colocou um pequeno tesouro de família, o vinho “Sassicaia”, no mercado. Durante vinte anos, a Tenuta San Guido produziu a bebida sem comercializá-la até que alcançasse a maturação ideal. “Isso era um reflexo da constante busca por qualidade”, diz o neto do Marquês, Piero Incisa Della Rochetta. “Creio que meu avô foi o precursor da revolução vinícola italiana.” Talvez por ter vindo ao mundo de maneira quase concomitante com o vinho, o atual dono e gerente de exportação da Tenuta o defenda de maneira tão apaixonada, como mostrou na degustação vertical das safras 1999, 2000 e 2001 promovida em São Paulo. Formado em agronomia pela Universidade de Pisa, o italiano de 38 anos critica avaliações. “Estamos assistindo a uma ‘parkerização’ dos vinhos, principalmente os Bordeaux”, afirma, referindo-se ao crítico Robert Parker. “Ele não degusta vinhos italianos, parece que prefere vinhos mais ricos. Só que costumo dizer que nosso vinho é o mais francês dos italianos, porque meu avô sempre quis fazê-lo como um Bordeaux.” Na última edição da feira Vinitaly, o Sassicaia ganhou o título de “O Mito dos Mitos”.

As últimas safras são outro fator de orgulho para o produtor. O terroir acidentado da região de Bolgheri aliado aos verões quentes produziu uvas que, segundo Piero, fizeram com que mesmo as safras mais jovens refletissem a leveza do vinho. “Safra boa é aquela que me revela nuanças antes não conhecidas, que me faz acordar e dormir pensando nela.”

Sassicaia em três safras
Claudio Gatti
A degustação paulistana contou com
as safras de 1999, 2000 e 2001 do “Sassicaia”. As três safras, feitas com
uvas Cabernet Sauvignon e Cabernet
Franc colhidas na região litorânea de Bolgheri, foram envelhecidas em carvalho francês por 22 meses e beneficiadas com a falta de chuva em seus anos. Mas cada uma guarda peculiaridades. Enquanto a safra de 1999 (R$ 714,61) tem taninos mais doces e aroma mais amadeirado, a de 2000 (R$ 680) se destaca pela cor forte e maior acidez.
Em 2001 (R$ 650), as uvas foram colhidas precocemente graças à boa safra e passaram por um processo de maceração
e fermentação mais acelerado.