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Piero
Incisa Della Rochetta, dono da Tenuta
San Guido, que produz o “Sassicaia” |
Dois anos antes do nascimento de seu herdeiro, o
Marquês Mario Incisa Della Rochetta colocou
um pequeno tesouro de família, o vinho “Sassicaia”,
no mercado. Durante vinte anos, a Tenuta San Guido
produziu a bebida sem comercializá-la até
que alcançasse a maturação ideal.
“Isso era um reflexo da constante busca por
qualidade”, diz o neto do Marquês, Piero
Incisa Della Rochetta. “Creio que meu avô
foi o precursor da revolução vinícola
italiana.” Talvez por ter vindo ao mundo de
maneira quase concomitante com o vinho, o atual dono
e gerente de exportação da Tenuta o
defenda de maneira tão apaixonada, como mostrou
na degustação vertical das safras 1999,
2000 e 2001 promovida em São Paulo. Formado
em agronomia pela Universidade de Pisa, o italiano
de 38 anos critica avaliações. “Estamos
assistindo a uma ‘parkerização’
dos vinhos, principalmente os Bordeaux”, afirma,
referindo-se ao crítico Robert Parker. “Ele
não degusta vinhos italianos, parece que prefere
vinhos mais ricos. Só que costumo dizer que
nosso vinho é o mais francês dos italianos,
porque meu avô sempre quis fazê-lo como
um Bordeaux.” Na última edição
da feira Vinitaly, o Sassicaia ganhou o título
de “O Mito dos Mitos”.
As últimas safras são outro fator
de orgulho para o produtor. O terroir acidentado da
região de Bolgheri aliado aos verões
quentes produziu uvas que, segundo Piero, fizeram
com que mesmo as safras mais jovens refletissem a
leveza do vinho. “Safra boa é aquela
que me revela nuanças antes não conhecidas,
que me faz acordar e dormir pensando nela.”
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Sassicaia
em três safras |
A degustação paulistana contou com
as safras de 1999, 2000 e 2001 do “Sassicaia”.
As três safras, feitas com
uvas Cabernet Sauvignon e Cabernet
Franc colhidas na região litorânea
de Bolgheri, foram envelhecidas em carvalho francês
por 22 meses e beneficiadas com a falta de chuva
em seus anos. Mas cada uma guarda peculiaridades.
Enquanto a safra de 1999 (R$ 714,61) tem taninos
mais doces e aroma mais amadeirado, a de 2000
(R$ 680) se destaca pela cor forte e maior acidez.
Em 2001 (R$ 650), as uvas foram colhidas precocemente
graças à boa safra e passaram por
um processo de maceração
e fermentação mais acelerado. |
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