Reportagens  
“Gostaria de ter tido uma menina, uma Hebinha, mas não deu.
Não queria ter um filho com
cada homem”, diz ela
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Hebe procura o tom

continuação
 

Lutou muito para reconquistar o horário às segundas?
Não. A emissora sentiu meu descontentamento. O público via que eu entrava para fazer o programa sem a felicidade que transmito. Acredito que a direção tenha notado, porque partiu deles me trazer de volta. Não pedi, mas demonstrei, com minha pouca alegria. E conversei muito com minhas amigas Nossa Senhora de Fátima e Nossa Senhora Aparecida. Deixei nas mãos delas. Foi a única vez que pedi alguma coisa para mim, porque só peço por meus amigos, quando ficam doentes.

Como se sentiu com a mudança?
Fiquei muito triste, o que é difícil de acontecer. Teve um dia, nas duas primeiras semanas, em que chorei no telefone com o Leon Abravanel (diretor do SBT), para expressar minha tristeza. Falei soluçando. Não foi nada contra ele, que foi muito gentil e ligou para me dar satisfação, mas foi meu desabafo. Nunca tinha chorado por trabalho.

O Silvio comunicou pessoalmente a mudança?
Não. Ele simplesmente mudou, como sempre faz. É o dono, a
gente não pode contestar. Mas ele não agiu da maneira
correta, especialmente eu estando há 20 anos no SBT. Isso me chocou mais do que a própria mudança. Foi uma atitude muito irreverente, desrespeitosa.

Pensou em pedir de volta o horário para ele?
Pensei em mandar uma carta, mas depois falei: “Se ele me recebe quando preciso, por que vou mandar uma carta?”. Pensei e resolvi esperar para falar com ele pessoalmente. Mas não tentei, sabia que ele estava cheio de problemas. Deixei passar o tempo, fui me acalmando. Quando estava quase me adaptando no sábado, voltei para a segunda. Mas estou muito feliz.

Como é sua relação com o Silvio hoje?
É boa, mas ele não está parando aqui, viaja muito. A última vez que o vi foi há três, quatro meses. Cheguei na emissora e vi o carro dele parado. Deixei um bilhetinho, brincando: “Gostaria de pedir um autógrafo. Sua admiradora, Hebe Camargo”. Ele me chamou para conversar, mas não foi nada demais.

Os apresentadores são os pilares do SBT, começando pelo Silvio. O que aconteceu com ele, para agir assim?
Alguém deve ter enchido mal a cabeça dele, porque, de repente,
ele começou a achar que o público não gosta mais de apresentadores. Queria entender. Não acredito que pense que apresentador está
fora de moda, porque veja quantos programas ele tem: programa diário, às vezes mais de um no mesmo dia. O Silvio tem tanto
tempo de televisão quanto eu. Se eu estou fora de moda, ele
também está (risos)!

O SBT fez um anúncio no qual Ratinho aparecia travestido de Hebe. O que achou disso?
De profundo mau gosto, mas sei que não partiu dele. Deve ter sido algum diretor do programa dele. Quando vi na televisão, levei um susto: “Que coisa grotesca!”. Mas não comentei com o Ratinho, porque ele não teve culpa. Ele está sofrendo tanto quanto eu sofri.

Ano passado, quando Silvio proibiu os apresentadores de falar o nome dele, você foi uma das que o chamaram de “Joaquim”. Foi repreendida?
O (humorista) Moacyr (Franco) criou e achei engraçado. Comecei
a brincar, mas veio uma ordem de que estava proibido falar o nome dele, o que achei esquisito. Recentemente disseram para eu não
fazer mais o selinho, que não ficava bem uma pessoa da minha idade fazer esse tipo de brincadeira. Falei: “Será que voltou a ditadura?”. Porque isso é ditadura. Faz uns três ou quatro programas. Estou proibida de dar o selinho. É uma coisa meio ridícula, porque ninguém há de pensar que eu, nessa idade, vou procurar namorado na platéia, ainda mais com selinho.

Os desabafos sobre política continuarão durante a
eleição presidencial?
Isso vai ser proibido com o início da campanha, mas vou falar enquanto puder. O mensalão, os sanguessugas estão aí e o povo
está anestesiado. O próprio presidente disse que isso sempre
existiu. É triste para o País. Não é possível um presidente não
saber (do mensalão), se os que estavam envolvidos eram ligados a ele. Esta semana, soubemos que ele é candidato à reeleição e
negava isso. Como confiar em uma pessoa assim? Nunca votei
(em Lula) e jamais votarei.

Em quem votou em 2002?
Nem lembro dos candidatos. Acho que votei no Serra, porque não voto no PT. (Nesta eleição) Quero ver como serão as campanhas, se eles vão ficar pegando criancinhas, beijando, fazendo demagogia. Não gosto de revelar o voto.

O que achou da polêmica envolvendo os vestidos que o estilista Rogério Figueiredo disse ter dado à ex-primeira-dama de São Paulo, Lu Alckmin?
O Rogério Figueiredo usou isso para fazer publicidade. Já vesti
roupas dele, mas dizer que deu 400 roupas (como o estilista alegou)
é um pouco de absurdo, não deve ser verdade. Para mim, ele já deu algumas, mas não foram 400 (risos)! Nem 200! Foram só umas
quatro, cinco, quando ele não tinha nome nem loja.

Achou justa a prisão de Paulo Maluf, de quem já foi eleitora,
em 2005?

Não pode ser justa. Tem tanto assassino fora (da prisão) e ele não
é assassino. Se ele tem problema com dinheiro, impostos, sei lá
o quê, tudo bem, mas não é caso para prender e levar o filho junto.
Foi constrangedor.

Se ele se candidatar, vota nele?
Não temos mais nenhum vínculo.

Como é chegar aos 77 anos em plena atividade?
Gratificante. Até esqueço que tenho essa idade. Tenho uma vitalidade que não sei explicar. Sou meio Ronaldinho Fenômeno, porque não tenho doença. Só vou a hospital para fazer plástica. A última foi ano passado, em janeiro. Mexi no rosto, puxei dos ladinhos. Tomo todo dia um remedinho para tiróide. Dizem que esse tem que tomar até a missa de sétimo dia (risos). E meu médico está bravo, porque faz um ano que não apareço lá. Também tomo bastante vinho (risos)!

Quando foi seu último porre?
Bebo bem, mas sou forte para bebida. Meus amigos tentam me acompanhar e ficam no porre. Fico altinha, mais alegre do que já
sou, dou mais risada. O problema é que, se eu beber vodca e fizer alguma coisa, no dia seguinte esqueço. Vodca é um perigo, por
isso bebo pouco: só três copinhos (risos). Vinho, eu bebo bem,
uns quatro copos, mas vinho não embebeda. E, antes do vinho,
tomo uma marguerita.

Como lida com o sexo aos 77 anos?
No momento, não estou lidando (risos). Estou sem ninguém desde que o Lélio morreu (em 2000). Não é fácil, porque sinto que ainda estou muito... não é viril, porque viril falamos para homem! Eu estou em campo, mas sem bola (risos)! Quando vem um pensamento forte, ligo a televisão, vejo um filme. Ou brinco com meus cachorrinhos. Eles fazem companhia, mas não nesse sentido que você está pensando!

Lélio ainda é, de alguma forma, presente em sua vida?
Tenho foto dele no meu closet. Olho, mando beijo e converso com a foto. Digo que está tudo bem e que ele está bonitinho. Mas não sou carpideira, de ficar chorando.

Guardou algum objeto pessoal dele?
As coisas pessoais, mandei para os filhos e os netos dele. Só fiquei com um relógio Piaget, que tinha dado para ele.

Gostaria de ter tido mais filhos?
Gostaria de ter tido uma menina, uma Hebinha, mas como fiquei casada só seis anos, não deu para fazer o segundo. Quando
estava esperando o Marcello, torci para serem gêmeos. Não
queria ter um filho com cada homem. Só gostaria de ter tido filho
com o pai do Marcello.

É muito paquerada? Paquera também?
Os homens ligam me convidando para jantar, mas só. Saio com muitos amigos, todos casados. Não vou paquerar marido de amiga. Mas em restaurante, quando vejo alguém interessante, dou olhadinha, um olharzinho maroto. Gosto de homem mais velho, cabelinho branco. Mas casamento, nem pensar!

Mulheres mais velhas devem sair com homens mais novos?
Sempre fui contra mulher mais velha com garoto, assim como é ridículo os homens velhos que pegam garotinhas. Eles não têm idéia do ridículo que passam. Jamais namoraria um garotinho.

Agradecimento: Hotel Gran Meliá Mofarrej