Galvão Bueno renovou contrato com a Globo
até 2014. Estima-se que ganhe salário
de R$ 1 milhão ao mês, o maior da emissora.
É um dos mais polêmicos personagens da
televisão brasileira, especialmente em tempo
de Copa do Mundo – e sobretudo nas derrotas como
a de sábado, para a França de Zidane.
Aos 54 anos, com três filhos já adultos,
é avô e pai de um menino de 5 anos, Luca,
de seu segundo casamento, com Desirée, 19 anos
mais nova. Galvão falou à Gente
na Alemanha, com exclusividade.
Você estava especialmente
emocionado na narração de França
e Brasil. O que houve?
Era um jogo especial, por causa da derrota de 1998.
Ronaldo e Zagalo me emocionaram, eram os grandes personagens
brasileiros da partida, viveram muito aquela derrota
na final de oito anos atrás. E Zidane, é
claro, do lado francês. Queria muito ter gritado
um gol do Ronaldo, de preferência no meio das
pernas do Barthez. Não deu, ficou só essa
frustração. O Bial disse assim, antes
da partida: “Pessoal, não sejamos tão
cristãos, queremos mesmo é vingança”.
Esse era o clima, mas eles foram melhores. Não
podemos nos desesperar com a derrota, é esporte.
O brasileiro está
preparado para perder?
Infelizmente, não. Tenho medo
disso. Fernando Pessoa escreveu: “Navegar é
preciso, viver não é preciso”. Muita
gente acha que esse “preciso” é de
necessidade, mas não é. É de precisão.
Mas quando o assunto é futebol, o Brasil parece
dizer: “Jogar é preciso, viver não
é preciso”. E, aí sim, é
“preciso” de necessário. A vida não
é só futebol. Teremos sempre outras alegrias
e tristezas.
Você é a
voz do Brasil durante a Copa. Como é essa sensação?
É
um espetáculo, mas sei que é para o bem
e para o mal. Mexo com emoção, e por trabalhar
com os sentimentos das pessoas me torno polêmico.
Olha, tem uma expressão que detesto: “Politicamente
correto”, é o avesso do meu jeito.
Por quê?
Falo o que acho que devo. Sou jornalista,
locutor, mas me transformei em vendedor de emoções.
São 32 anos de carreira e 25 na Globo. É
muito tempo, muita história. É natural
que muitas de minhas opiniões sejam combatidas.
As críticas incomodam?
Na internet há um célebre site com o mote
“Eu odeio o Galvão Bueno”...
Já me descabelei com isso,
me irritava, ficava descabelado, hoje levo na boa. Mas
ocorre que o sujeito que é do contra faz um site
“Eu odeio o Galvão”. Quem admira
não faz, assim é a vida.
As piadas não incomodam
mesmo?
É o maior barato ser personagem
do Casseta & Planeta. No dia da morte do
Bussunda, a primeira pessoa que chegou ao hotel, lá
em Munique, fui eu. Meu filho de 5 anos pega o telefone
e diz: “Pai, ontem você tava engraçado
pra caramba, com aquele nariz grandão”.
O Macaco Simão, da Folha, tinha que
me dar 10% do salário dele. Morro de rir com
ele, embora às vezes tenha sacanagem. Olha, posso
não ser de muitas luzes, mas totalmente burro
não sou. Tem também o Bobueno, um “joão
bobo” que inventaram. Acho graça. Temos
um lá no escritório da Globo. Outro dia,
numa conversa com o Pedro Bial, pensamos em criar um
talkshow, o “Bobueno e Bobial”.
Sabe por quê? Ele é um dos mais geniais
repórteres do Brasil, um intelectual, belo texto,
um craque, e depois que foi apresentar o Big Brother
pegaram na pele dele. Viramos alvo de tudo quanto é
ataque.
Na Copa de 2002, nos jogos
da madrugada, pedia às pessoas que piscassem
as luzes nas casas e apartamentos, e o País inteiro
piscava. É uma demonstração de
poder...
Sou abusado, não é?
Gente, não é poder. Não tenho poder.
Tenho
poder da comunicação, e talento. Essas
invenções são positivas, é
só integração com o povo. Sou um
cara bem resolvido. Me trato bem, tenho uma família
feliz, curto as minhas coisas, ganho muito bem. Minha
relação com o torcedor brasileiro, em
sua maioria, é muito legal. Qual o problema de
vivê-la? Mesmo com aqueles que não gostam
de mim, insisto, a relação é legal.
Vou para o estádio e o sujeito grita “Galvão,
viad....”. Legal, deixa o cara gritar.
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