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“Não vou obrigá-la a
ficar com meus amigos de 70 anos e
ela não vai me obrigar a ir dançar com a garotada de 25’’,
diz Marcos Caruso, 54 anos, sobre a mulher, Dani Calichio,
31. Ele revela que, aos sete, transformava retalhos em
fantoches para brincar |
Em março passado, Marcos Caruso viveu uma emoção
única. Na sessão que comemorou os 20 anos ininterruptos
de sucesso de Trair e Coçar, É Só Começar,
viu reunidas várias encarnações dos personagens
da peça escrita por ele em 1979 – que foi vista
por mais de 4 milhões de espectadores. Eram cerca de
60 pessoas no palco, o que o levou às lágrimas.
“Tive a sensação de que eram meus filhos
perdidos, vindo passar o Natal em casa”, diz Caruso. Não
é só por isso, porém, que 2006 é
especial para o ator, autor e diretor paulistano. No teatro,
ele está em Operação Abafa, comédia
política em cartaz em São Paulo, na qual assina
o texto (pela quinta vez, em parceria com Jandira Martini).
No cinema, atuou em quatro filmes: Irma Vap – O Retorno,
Depois daquele Baile e os inéditos O Diário
de Tati e Polaróides Urbanas, além
de ter escrito o roteiro da adaptação cinematográfica
de Trair e Coçar, que estréia em 26 de
agosto. Para finalizar, grava Páginas da Vida,
próxima novela das 20h da Globo. “Não consigo
fazer duas coisas ao mesmo tempo. Tenho que fazer cinco, seis.”
Tantas atividades trouxeram experiências inéditas
até para quem tem 54 anos – e 34, de carreira.
Em Depois daquele Baile, Caruso ficou nervoso ao
contracenar com Lima Duarte. “Ele é um dos maiores
ícones da televisão e do cinema brasileiros.
Se fosse estrangeiro, teria pelo menos cinco Oscar”,
diz. “Vejo um homem como Lima e percebo o quanto me
falta para chegar aos joelhos dele.” Dono de uma interpretação
considerada “teatral”, Caruso diz que seu primeiro
contato com a dramaturgia foi aos sete anos, quando passava
férias, no Rio. No ateliê da avó costureira,
transformava retalhos em fantoches e divertia as freguesas.
“Ali surgiu o autor, o ator e o diretor”, diz.
Caruso, atualmente, assina um dos poucos textos teatrais
sobre a crise política: Operação
Abafa, no qual cinco ex-militantes de esquerda são
chamados a participar de uma negociata. As sessões
lotam, mas, diferentemente de outras montagens dele, nenhum
político foi ver a peça. “Os que sentirão
a carapuça servir, não irão”, diz
o autor. E quem não vestiria a carapuça? “Eduardo
Suplicy. É o
único em quem ainda confio”, diz, ressalvando
que não é petista. “Não voto em
partido. Sou artista,
minha função é criticar.”
Caruso foi casado até 1994 com a atriz Jussara Freire,
que lhe deu os filhos Mari, 32 anos, e Caetano, 27. Atualmente,
vive com a bailarina e coreógrafa Dani Calichio, 31,
que conheceu nos bastidores da peça Intimidade
Indecente, em 2004. Após uma apresentação
em Campinas (SP), ela levou a dupla Sandy & Junior ao
camarim, para conhecer o elenco. “Quando olhei para
ela, esqueci os dois”, conta Caruso. A diferença
de 22 anos não atrapalha, graças ao respeito
mútuo: “Não vou obrigá-la a ficar
com meus amigos de 70 anos e ela não vai me obrigar
a ir dançar com a garotada de 25”, diz ele. Entre
os planos do casal para o segundo semestre, está Doidivanas,
espetáculo-solo de Dani, com direção
de Caruso. E não planejam oficializar a relação.
“Não temos e nem queremos papel passado”,
diz Dani. Caruso completa: “Pra quê? Qualquer
coisa, é só escrever: ‘Quando eu morrer,
você fica com a cadeira’”, brinca, com o
humor que já arrastou milhões ao teatro.  |