No dia da histórica apresentação
dos Rolling Stones na Praia de Copacabana, no
Rio, no início deste ano, uma pessoa
em especial torcia mais do que ninguém
para que o espetáculo se transformasse
num marco. Filha do prefeito Cesar Maia, a empresária
Daniela Maia, 35 anos, havia convencido o pai
de que um show da lendária banda nas
areias de Copacabana seria definitivo para a
terceira gestão do experiente político.
Não era a primeira vez que Daniela, dona
da badalada loja de produtos infantis, Petit
Lippe, atuava como uma espécie de consultora
informal do prefeito. Ela, que é casada
com o empresário Luís Felipe Maciel,
39, e mãe de dois filhos – Joaquim
Felipe, 6, e Betina, 4 –, também
deu a idéia de trazer ao Rio, há
pouco mais de um ano, o cantor Lenny Kravitz.
“Daniela usa argumentos racionais e econômicos,
são os que valem”, diz o prefeito.
“Ela seria uma excelente política.”
Mais do que uma empresária com alma
de política, Daniela é uma mulher
de garra e determinação. Não
fosse assim teria esmorecido diante de um grave
problema de saúde da filha Betina, três
meses depois do nascimento do bebê. Daniela
percebeu que a menina não mamava direito
e tinha uma digestão difícil,
além de chorar muito.
Uma febre repentina acendeu o sinal de alerta.
Após uma consulta
ao pediatra um diagnóstico nada animador:
tumor raro na região
da costela. Alguns exames a mais, porém,
e a suspeita de
câncer foi afastada.
Mesmo assim, Daniela e o marido partiram para
Boston, nos Estados Unidos, na esperança
de encontrar uma solução para
o caso da menina. “Eu pensava: ‘Não
vou enterrar uma criança minha. Vou lutar
até as últimas conseqüências,
mas ela vai sobreviver’”, lembra
ela. “Foi uma época dramática,
um choque muito grande. Fiquei muito arrasada.”
Como o tumor não evoluiu, os médicos
optaram por não fazer a cirurgia. Hoje,
Betina está bem. “Eu renasci, recuperei
e alegria e passei a ver a vida como uma bênção”,
diz a mãe. O prefeito Cesar Maia elogia
a coragem da filha. “Ela sempre foi forte,
mas na condição de mãe
poderia fraquejar. Não o fez e passou
por um processo muito difícil em que
muitos não agüentariam emocionalmente.”
Daniela, que já foi produtora de moda
e panfletava nos bares da zona sul do Rio fazendo
campanha política para o pai, transformou-se
numa decidida mulher de negócios. Sua
loja, instalada em um dos shoppings mais caros
da cidade, é um ponto de referência
para celebridades como Mônica Torres e
Angélica, freqüentadoras assíduas.
“No início diziam que eu era louca
de mexer com comércio. Mas fui com a
cara e a coragem e deu certo”, comemora
ela, que resolveu abrir uma loja infantil ao
perceber, durante a gravidez do primeiro filho,
que não havia muitas opções
para esse segmento. “Não tinha
nada que eu achasse bacana, legal, tudo era
muito careta.” Hoje, colhe os dividendos
como empresária e conselheira do pai.
“Tenho orgulho de meu trabalho e de minha
família.”  |