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Monsieur Gainsbourg

Homenagem a Serge Gainsbourg maltrata compositor em 14 lições
Luciano Suassuna

Serge Gainsbourg ganhou fama com o apelo erótico de canções curtas e sussurradas – “Je t’Aime” e “Emanuelle”. Mas numa carreira tão longa quanto polêmica, se firmou como um compositor de letras elaboradas, espécie de Chico Buarque francês. Gainsbourg morreu há 15 anos, e a indústria fonográfica resolveu recolher novamente suas cinzas com a ($$$???) homenagem Monsieur Gainsbourg, na qual 14 músicas são revisitas por cantores, bandas e duos improváveis, como Franz Ferdinand & Jane Birkin (a mais famosa companheira de Serge). São todas versões em inglês de um autor que não mereceria traduções, mas cantado assim o disco ganha mais valor comercial, ora bolas.

Se a intenção da Universal era traduzir em Monsieur Gainsbourg a controversa biografia do ($$$???) homenageado, então acertou em cheio. O compositor está presente no álbum pelo que ele produziu de menos profundo. O grande Gainsbourg foi maldito de fato, contestador a ponto de tocar a “Marseillaise”, o hino francês, em ritmo de reggae. Mas isso não deveria servir de exemplo para que dessem às suas letras a adaptação que bem quisessem. Porque, na maioria delas, a zoeira pop só serve para encobrir a canção. No disco, só se salva Carla Bruni, a ex-top model, que em “Those Little Things” declama porque não tem voz para cantar. É a melhor versão e a melhor intéprete. Apenas uma excentricidade.