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No Brasil, cantores não raramente são
pressionados por diretores artísticos de gravadoras
para adotar repertório brega. Nos Estados Unidos,
a pressão é para enquadrar intérpretes
em mix padronizado de rap e rhythm and blues.
A nova vítima é Nelly Furtado, canadense
de ascendência portuguesa que chega ao terceiro
CD, Loose, rebobinada com a grife da produção
de Timbaland, nome alçado à condição
de popstar em sua terra.
Esqueça os elementos das músicas brasileira
e portuguesa que deram ao pop de Nelly um sotaque
original nos álbuns anteriores, Whoa,
Nelly (2000) e Folklore (2003).
Lembre-se da fase mais vulgar das carreiras de Britney
Spears e Christina Aguillera. É esse som usual
que domina Loose. Tudo para que faixas como
“Promiscuous” possam turbinar as vendas
da artista no mercado norte-americano.
Justiça seja feita, Nelly já flertara
com o universo do hip hop no início da carreira,
no Canadá. O que impressiona negativamente
é a banalização de seu som. Um
rhythm and blues como “Showtime”
soa igual a zilhões de temas do gênero.
Na área do rap, as batidas (eventualmente tribais)
são competentes, às vezes incrementadas
com toques latinos como em “Te Busqué”,
gravada com o colombiano Juanes. Mas foi-se a personalidade
da artista. Não é à toa que a
participação de Chris Martin foi vetada
pela gravadora do Coldplay. Avaliou-se que a associação
com Nelly prejudicaria a imagem de Martin. Não
estavam errados. Fotocópia.
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