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Jörg Friedrich descreve os efeitos dos bombardeios em O Incêndio

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Ping-pong / Jörg Friedrich
“Turistas deveriam ir a museus de guerra”
Suzana Uchôa Itiberê

O historiador alemão Jörg Friedrich não é fã de futebol, mas vê com simpatia a invasão de turistas em seu país. Acha uma boa oportunidade para se visitar museus e relembrar a Segunda Guerra, agora sob o ponto de vista dos vencidos. Autor de livros sobre crimes nazistas e colaborador da Enciclopédia do Holocausto, ele provocou polêmica com O Incêndio (Record, 588 págs, R$ 64,90), que descreve os efeitos do bombardeio inglês e americano sobre cidades alemãs. Friedrich falou a Gente.

Por que o interesse pela Segunda Guerra?
Nasci na guerra e cresci em um país aniquilado. A geração de meu pai não olhava para trás, queria apenas reerguer a nação. Herdei a derrota, a vergonha do Holocausto e a sensação de ser filho de criminosos. Precisava entender o passado e identificar os culpados. Durante a Copa, turistas deveriam ir a museus de guerra.

O livro gerou polêmica.
Nem tanto por falar do sofrimento alemão, mas por certas palavras. Durante os bombardeios, o porão das casas virava refúgio e era
tomado pela fumaça e por um calor que torrava as pessoas, viravam cinza. Descrevo o lugar como “crematório” e me acusaram de fazer comparação com Auschwitz. Não digo que aquela gente foi queimada
por ter a raça “errada” ou o “nariz errado”, mas que foram vítimas de
uma nova técnica de guerra.

Fala-se pouco dos efeitos da guerra aérea.
Os relatos costumam terminar no lançar da bomba. Há inibições
em descrever a desgraça alemã. Eles começaram a guerra, fizeram bombardeios e era natural que sofressem as conseqüências, mas
as bombas atingiram mulheres, velhos e crianças. Hitler estava
protegido no bunker.

O livro pode estimular novas regras para ataques aéreos?
Se soubesse que faria efeito enviaria um para Bin Laden. Mas veja a Guerra do Iraque, nos bombardeios a Bagdá os civis morreram por falha técnica. Na Segunda Guerra, a ordem era matar 900 mil pessoas.