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Biografia
Pelé, a Autobiografia
O craque do futebol se
limita a alimentar o
mito e frustra leitor ávido por revelações
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Pelé, a Autobiografia (Sextante,
298 págs., R$ 29,90) narra a trajetória
do Rei do Futebol, da infância pobre até
a glória nas Copas do Mundo
e a dor da recente prisão do filho Edinho. E
isso é óbvio que estaria
ali retratado. A autobiografia do craque é praticamente
formada por histórias de jogos e, como foi encomendada
pela editora inglesa
Simon & Schuster, repete causos que os brasileiros
estão cansados
de saber. Logo, a frustração é
inevitável.
Se por um lado é interessante ver Pelé
narrar sua história, por outro, o livro é
banal e repetitivo. O texto da contracapa promete
casos extraconjugais, brigas de bastidores do futebol
e detalhes da prisão de Edinho. Na prática,
no entanto, Pelé, como sempre faz fora dos
campos, joga na retranca, pensando apenas em ficar
bem na fita.
Histórias de casos amorosos duram exatas
três páginas, metade delas dedicadas
à apresentadora Xuxa, de quem ele se limita
a dizer que foi um protetor, responsável pelo
início de seu sucesso. A vida em seu sítio
no interior paulista, no entanto, ganha vastos relatos,
assim como o talento de cantora da atual mulher, Assíria,
e outras frivolidades. Dos prometidos romances extraconjugais,
apenas o da jornalista Lenita Kurtz e o manjado caso
com uma doméstica, que lhe deram uma filha
cada, são citados. Em Pelé, a Autobiografia,
o ex-jogador é um dedicado profissional, bom
marido e pai exemplar, ou melhor, o livro existe apenas
para realimentar o mito. Para inglês ler.
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