Diversão & arte - Livros  
Reuters

No livro, Pelé, como sempre faz fora dos campos, joga na retranca, pensando em ficar bem na fita

Divulgação
• • •

Leia também

Cinema
Exposição
Gastronomia
Internet
Música
Teatro
Televisão
• • •
Biografia
Pelé, a Autobiografia
O craque do futebol se limita a alimentar o
mito e frustra leitor ávido por revelações
Marcelo Lyra
Pelé, a Autobiografia (Sextante, 298 págs., R$ 29,90) narra a trajetória
do Rei do Futebol, da infância pobre até a glória nas Copas do Mundo
e a dor da recente prisão do filho Edinho. E isso é óbvio que estaria
ali retratado. A autobiografia do craque é praticamente formada por histórias de jogos e, como foi encomendada pela editora inglesa
Simon & Schuster, repete causos que os brasileiros estão cansados
de saber. Logo, a frustração é inevitável.

Se por um lado é interessante ver Pelé narrar sua história, por outro, o livro é banal e repetitivo. O texto da contracapa promete casos extraconjugais, brigas de bastidores do futebol e detalhes da prisão de Edinho. Na prática, no entanto, Pelé, como sempre faz fora dos campos, joga na retranca, pensando apenas em ficar bem na fita.

Histórias de casos amorosos duram exatas três páginas, metade delas dedicadas à apresentadora Xuxa, de quem ele se limita a dizer que foi um protetor, responsável pelo início de seu sucesso. A vida em seu sítio no interior paulista, no entanto, ganha vastos relatos, assim como o talento de cantora da atual mulher, Assíria, e outras frivolidades. Dos prometidos romances extraconjugais, apenas o da jornalista Lenita Kurtz e o manjado caso com uma doméstica, que lhe deram uma filha cada, são citados. Em Pelé, a Autobiografia, o ex-jogador é um dedicado profissional, bom marido e pai exemplar, ou melhor, o livro existe apenas para realimentar o mito. Para inglês ler.