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Contos/Crônicas
O Homem que Conhecia as
Mulheres
Marcelo Rubens Paiva
conta histórias superficiais
que em nada lembram seus bons momentos
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| Nos anos 80, aquele que não havia
lido Feliz Ano Velho estava totalmente por fora. Grande
sucesso editorial, a biografia romanceada de Marcelo
Rubens Paiva ganha reedição pela Objetiva
e, no embalo, o escritor lança um livro de muitas
crônicas e poucos contos, O Homem que Conhecia
as Mulheres (Objetiva, 159 págs., R$ 34,90).
Não precisava. O leitor que ainda não
conhece Feliz Ano Velho ou Blecaute,
os dois melhores livros de Rubens Paiva, e pegar a novidade
em primeiro lugar, certamente, nem se interessará
pelo resto.
O Homem que Conhecia as Mulheres peca pela
fragilidade. Começa com uma série de
histórias rápidas de perfis femininos,
repletos de piadas internas não muito facilmente
decifráveis para quem desconhece São
Paulo, e mergulha na superficialidade. Algumas até
são divertidas, como a da Pingucinha ou a da
Carioca, mas a maioria carece de estrutura narrativa,
de frases costuradas e boas soluções.
Mais inspirado é o argumento do conto que intitula
o livro. Rubens Paiva brinca com a carência
das pessoas nos grandes centros urbanos, capazes de
dar ouvidos a qualquer um, mas se perde em uma trama
de tribunal sem fundamento. O escritor interessante
dos anos 80 faz de tudo para ser moderno na sua prosa,
mas soa ultrapassado e pejorativo. Em nada lembra
o autor de Feliz Ano Velho, Blecaute
e da deliciosa peça E Aí, Comeu?.
Perdido no tempo.
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