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Bruno Veiga

Rubens Paiva: visão pejorativa
e sem inspiração

Divulgação
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Contos/Crônicas
O Homem que Conhecia as Mulheres
Marcelo Rubens Paiva conta histórias superficiais
que em nada lembram seus bons momentos
Dirceu Alves Jr.
Nos anos 80, aquele que não havia lido Feliz Ano Velho estava totalmente por fora. Grande sucesso editorial, a biografia romanceada de Marcelo Rubens Paiva ganha reedição pela Objetiva e, no embalo, o escritor lança um livro de muitas crônicas e poucos contos, O Homem que Conhecia as Mulheres (Objetiva, 159 págs., R$ 34,90). Não precisava. O leitor que ainda não conhece Feliz Ano Velho ou Blecaute, os dois melhores livros de Rubens Paiva, e pegar a novidade em primeiro lugar, certamente, nem se interessará pelo resto.

O Homem que Conhecia as Mulheres peca pela fragilidade. Começa com uma série de histórias rápidas de perfis femininos, repletos de piadas internas não muito facilmente decifráveis para quem desconhece São Paulo, e mergulha na superficialidade. Algumas até são divertidas, como a da Pingucinha ou a da Carioca, mas a maioria carece de estrutura narrativa, de frases costuradas e boas soluções. Mais inspirado é o argumento do conto que intitula o livro. Rubens Paiva brinca com a carência das pessoas nos grandes centros urbanos, capazes de dar ouvidos a qualquer um, mas se perde em uma trama de tribunal sem fundamento. O escritor interessante dos anos 80 faz de tudo para ser moderno na sua prosa, mas soa ultrapassado e pejorativo. Em nada lembra o autor de Feliz Ano Velho, Blecaute e da deliciosa peça E Aí, Comeu?. Perdido no tempo.