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| A recente colheita
no Vale dos Vinhedos, no Rio Grande do Sul, é
definida como excepcional por Adriano Miolo, diretor-técnico
da vinícola gaúcha |
O primeiro sinal veio de Bordeaux. Acostumados a interpretar
qualquer variação de humor da natureza,
os produtores dos mais caros e longevos tintos do mundo
não esconderam o otimismo. A colheita de 2005
foi praticamente perfeita. “Bordeaux vai ter uma
safra melhor que a de 2000”, disse à Gente
o enólogo francês Bruno Prats, que durante
três décadas esteve à frente do
renomado Château Cos d’Estournel. Em Bordeaux,
2000 é uma das safras antológicas, como
1982.
Território de alguns dos melhores brancos
do mundo, a Alemanha também foi beneficiada
pelo tempo ideal, sem geada, chuva fora de hora ou
calor excessivo. O fenômeno se repetiu em muitas
regiões da Espanha (Toro e Priorato, por exemplo)
e de Portugal (Douro e Alentejo). Na Europa, talvez
a Itália seja a exceção, com
uma safra apenas mediana
(e talvez nem isso) em 2005.
Para os consumidores brasileiros, a melhor notícia
é que o fenômeno ocorreu em parte da
América do Sul. A exceção é
a Argentina, que teve geadas em plantações
da Patagônia e de Mendoza. “É a
melhor safra
da história do Chile”, diz José
Esturillo, diretor-geral da Viños del Sur,
cujo rótulo comercial se chama Carpe Diem.
“Excepcional” é a definição
que Adriano Miolo, diretor-técnico da vinícola
gaúcha, faz da colheita no Vale dos Vinhedos.
O tempo bom aliado ao aperfeiçoamento tecnológico
deve resultar em vinhos brasileiros melhores que os
das reputadas safras de 1991 e 1999.
Com exceção dos Bordeaux, cujas cifras
não param de subir, muitos
dos vinhos 2005 que chegam agora ao mercado oferecem
mais qualidade pelo mesmo preço. Na Miolo,
os Chardonnay e Pinot Noir 2005 só chegam no
final do ano, mas muitos chilenos que vão desembarcar
por aqui entre julho e agosto já provaram esta
qualidade em degustações antecipadas,
caso do Casillero del Diablo Cabernet Sauvignon (R$
25, aproximadamente) ou do Santa Carolina Carmenère
Reserva de Família (em torno de R$ 70, na Casa
Flora).
Como é característica dos vinhos do
Novo Mundo, eles já saem das vinícolas
prontos. Os brancos, por exemplo, são melhores
quanto
mais jovens forem. Mas, no caso dos tintos de linhas
premium, eles
vão evoluir bem pelos próximos dois
a cinco anos, beneficiados pela
safra em que o tempo ideal, com calor na medida certa,
gerou vinhos
de mais corpo e estrutura. |