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| O
goiano Moacir transgride a moral
conservadora e a religiosidade |
Moacir Arte Bruta, de Walter Carvalho, retrata
o cotidiano de um filho de agricultores do interior de
Goiás que sofre de esquizofrenia e deficiência
de aprendizado, mas é dono de um talento nato para
a pintura. Carvalho, que também pinta e desenha,
apaixonou-se pela arte de Moacir e o radiografou neste
novo longa com rara beleza.
O cineasta de Janelas da Alma interessou-se
também pela forma com que ele transgride a moral
conservadora e a religiosidade do pequeno lugarejo.
Os diabinhos, mulheres nuas e ETs que pinta em muros,
paredes ou simplesmente pendura em sua bicicleta, para
depois pedalar pelo vilarejo como uma exposição
ambulante, tornaram-no malvisto pelos moradores. A situação
só começou a se inverter quando seu talento
ganhou as páginas de jornais.
Moacir Arte Bruta impressiona pelo despojamento
com que retrata um artista intuitivo. Sua forma narrativa
está em perfeita sintonia com o universo do personagem.
Não há didatismo, exceto na participação
de outro artista goiano, Siron Franco, que analisa a
pintura de Moacir. Walter Carvalho não está
interessado apenas em mostrar o artista trabalhando,
mas sim na interação dele com as pessoas
e o lugar onde vive, bem como no registro de uma arte
que retrata a força interior do artista em impressionantes
imagens. Janela do inconsciente.
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