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Factotum – Sem Destino
Matt Dillon surpreende como alter ego do escritor Charles Bukowski nessa fiel adaptação

Christian Petermann

Divulgação
Matt Dillon: escritor alcoólatra,
mulherengo e sem vaidades
O diretor norueguês Bent Hamer (Histórias de
Cozinha
) captou a essência do drama e da ambientação do escritor Charles Bukowski nesta adaptação de Factotum – Sem Destino. Difícil feito esse que apenas o italiano Marco Ferreri detinha com seu Crônica do Amor Louco (1982). A partir de pequenos eventos na vida de Henry Chinaski, escritor alcoólatra e mulherengo, o autêntico alter ego de Bukowski, Hamer escreveu e produziu o longa em parceria com Jim Stark, colaborador habitual de cineastas como Jim Jarmusch e Gregg Araki. A dupla transpôs a narração seca e distante do escritor de forma precisa, mantendo-se também indiferente a qualquer julgamento moral.

O estilo marginal é captado por uma fotografia que contrapõe a penumbra a tons quentes e por
uma trilha sonora curiosamente delicada, na voz etérea de Kristin Asbjornsen e no órgão de Trygve Bröske. Mas o surpreendente acerto foi a escolha de Matt Dillon para o papel de Chinaski. Pensado para Sean Penn, o protagonista sem vaidades e ambições foi bem compreendido por Dillon, que este ano recebeu uma indicação ao Oscar de coadjuvante por Crash – No Limite. Acompanhado pelo talento das atrizes Lili Taylor e Marisa Tomei, o ator é a prova de que este filme soube por qual caminho trilhar. À margem da vida.