Entrevista  
Brainpix
“Ronaldo é um amigo, com quem eu poderia sair para tomar sorvete. Não poderia ser cerveja porque não bebo e ele também não”, diz a cantora, na Alemanha
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CONTINUAÇÃO

O sucesso no exterior
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Ivete Sangalo
‘‘Não me importo se dizem que estou magra ou gorda’’
Em turnê pela Europa, a cantora discute sobre o peso de
Ronaldo, diz que já foi goleira e conta que, antes da fama,
imitava Maria Bethânia, descalça, na frente do espelho
Fábio altman, enviado especial à copa da alemanha

“Ai!” Ivete ensaia um grito de dor ao sentir o beliscão na cutícula do
pé esquerdo. Ri e brinca com a manicure que a atende em um dos quartos do Grand Hotel Esplanade, em Berlim. “Menina, você torce
pra Croácia, é?” Tricia Carvalhaes Kohlhaus, brasileiríssima casada
com alemão, reputada profissional na capital alemã, responde com humor: “Fique tranqüila, faço as unhas do Boris Becker”. São 15h e
logo mais o Brasil venceria a Croácia em sua estréia na Copa. Duas horas, Ivete se apresentaria para 5 mil pessoas em uma moderna casa de espetáculos. Acabou de acordar, após a noite em claro viajando, périplo natural de uma turnê de 33 shows em 42 dias, agenciado por Richard Ogden, ex-manager de Paul McCartney. Ivete falou com exclusividade a Gente recheando as frases com gírias universais como “bicho” e outras baianas como “paizinho” e “massa”. Quando entrava no carro a caminho do espetáculo encontrou a turma do Casseta & Planeta, que gravara piadas para o programa e fizera questão de tirar uma foto com a deusa do axé.

O que achou da polêmica do presidente Lula com o Ronaldo? Lula quis saber de Parreira, via teleconferência, se o craque
está gordo.

Tenho certeza que as intenções de ambos foram muito boas, especialmente porque estamos em tempo de Copa. Ela nos faz lembrar coisas boas e esquecer as ruins. Todos podem se exceder, eu mesma já me excedi, fui tantas vezes inflexível. O Lula teve boa vontade e o Ronaldo é um superatleta, além de um amigo, com quem eu poderia sair para tomar sorvete. Não poderia ser cerveja porque não bebo e ele também não.

Mas vocês conseguiriam andar na rua com tranqüilidade?
Sim. Eu, ele e uma turma de olho na gente. Graças a Deus somos populares no Brasil. Ele mais no mundo do que eu – aliás, eu no mundo, nada. Mas, olhe, não vamos esquecer que o Ronaldo é
um craque. Note o que ele fez na outra Copa. Peraí, somos
muito imediatistas!

É invasão de privacidade discutir a gordura de uma figura pública? Se fosse você o personagem?
Não me importo se dizem que estou magra ou gorda, até mesmo se desafino, porque não sou perfeita. É um equívoco. Ninguém chega à perfeição. A coisa foi tratada como deveria ser, rapidamente se dissolveu. Cabe aos esportistas, aos artistas, a quem quer que seja, determinar o peso desse tipo de assunto.

Em 2002, foi a musa da Seleção, pela proximidade com os jogadores, e “Festa”, a trilha sonora do penta. O fenômeno
se repetirá?

Fui contagiada com o lance da música, em 2002, como os brasileiros. Não foi estratégia de carreira. Toda vez que tocava “Festa” eu ficava louca, bicho. Fiquei feliz ao perceber que a canção virou algo emblemático. Ela não estava mais nas rádios e veio à tona de novo. Quando me perguntam, “e aí, Ivete, qual é o próximo sucesso para a Copa?”, respondo na hora: isso não é um negócio. Tem que vir dos jogadores e do público.

Gosta de futebol desde menina?
Adoro. Tenho três irmãos homens, um deles morreu atropelado. Era o que mais gostava de futebol. Jogava como goleiro de futebol de salão
e me influenciou muito. Sabia o que era tiro de meta, impedimento, essas coisas todas.

Sabia ou ainda sabe?
Sei, quer que eu lhe diga o que é? Impedimento é quando um jogador
de um time, no momento do lançamento da bola para outro... Bom, dá para ver que posso explicar direitinho, não é?

Bahia ou Vitória?
Vitória. Escolhi por influência dos pais e irmãos, mas não significa que
a torcida do Bahia não me respeite. Tenho fãs dos dois clubes.

Qual é a sua Seleção ideal? Mudaria algum nome?
O time é bom, não é mais hora de trocar. Me lembro que em todas as Copas que estive ligada havia muita polêmica – porque a polêmica entretém. Parreira é lúcido, objetivo e competente. Sabe o que faz. Deixa o cara! É como repertório, cada um sabe o seu. Outro dia fui com ele a um programa do Galvão Bueno e nos demos muito bem. Foi divertido. Pô, encontrei Falcão, Casagrande, muito massa – aqueles caras das Copas de 1982 e 1986, saudosas, saudosas.