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“Acredito
que daqui a um ano ou dois (o casamento)
possa vir a ocorrer”, diz Ellen |
Era noite de um sábado próximo
ao Carnaval que passou. Sozinha em casa, Ellen
telefonou para as amigas. Queria matar a saudade,
jogar conversa fora – aproveitar que o
namorado, o ator Rodrigo Santoro, viajava a
trabalho para fazer um programa mulherzinha.
Sugeriu um bate-papo de botequim, mas nenhuma
delas queria percorrer outro itinerário
que não o das quadras das escolas de
samba. “Hiii...Sambão?”,
indagou Ellen, com a preguiça jogada
no sofá. Não houve argumento capaz
de demover as folionas – para sorte da
modelo. Naquela noite, encontraria Wolf Maya
no sambão. Prestes a assumir a direção
de Cobras & Lagartos, Wolf procurava
uma top model para uma participação
especial na novela ao lado de Francisco Cuoco.
Bateu os olhos em Ellen e pensou: “É
ela”. Aproximou-se e decretou: “Tem
que ser você”.
A princípio, Ellen relutou. Não
tinha (e não tem) a menor intenção
de ser atriz. “Não tem o menor
perigo”, avisa. “Não me vejo
ali atuando, beijando... Não é
a minha praia.” Como o convite se resumia
a uma pequena participação no
primeiro capítulo da trama, concordou
de bom grado. Ainda encarnava a musa dos olhos
do personagem de Cuoco quando olhos mais reais
miraram em sua direção. Eram os
do diretor Mariozinho Vaz, do Vídeo
Show. Havia três meses, ele procurava
uma repórter para ocupar a vaga da jornalista
Ana Furtado. Enxergou Ellen e pensou: “É
ela”. Aproximou-se e determinou: “Tem
que ser você”. Ellen editou um videobook
com seus melhores trabalhos, incluindo os programas
como apresentadora do Revista Celebridades,
do Multishow, posto que ocupou durante um ano
até dezembro do ano passado. Ele dispensou
a avaliação e ainda poupou a modelo
da bateria de testes comum a quem aspira entrar
na Rede Globo pela porta da frente.
Por quê? O que ela tem?
Mariozinho Vaz responde: “Ellen
é autêntica, bem-humorada. Bati
o olho nela e não tive dúvida.
Procurava alguém com disposição
para brincar e aprender durante o trabalho.
A Ellen passa alto astral para a equipe, com
a câmera ligada ou desligada”.
Sósia de Gisele Bündchen e namorada
de Rodrigo Santoro são apostos que acompanham
sua trajetória. Ela é a primeira
a refutar tais definições. Faz
da teoria sua prática profissional: rejeita
qualquer trabalho que a coloque em tais condições.
“Poderia estar rica se tivesse aceitado
tudo que já me ofereceram para fazer
trabalhos como ‘a namorada do Rodrigo’”,
revela. “Nunca pensei em dar uma de oportunista.”
Em sua agência, baixou uma regra. Por
um instante, faz uma pausa na conversa com Gente
na Livraria da Travessa, no Rio, deposita o
chocolate quente de volta no pires e emposta
a voz para revelar qual é. “Tudo
que for relacionado a Rodrigo, pode ser a grana
que for, é não. É igual
a Playboy. Não adianta nem me
ligar. Um milhão? Não. São
princípios que tenho.”
Mesmo princípio a leva a alisar o cabelo quando as comparações com Gisele se tornam insistentes. A história da semelhança entre as duas partiu da própria top. “Gente, vocês me arrumaram um clone!”, exclamou Gisele diante dos fotógrafos durante a gravação de um comercial. Foi o que bastou. “Todos vieram para cima de mim”, lembra Ellen. “Quando toda essa história começou, tive medo. Nunca quis ir na aba da carreira de alguém, ser o clone, a sósia. Sempre fui muito feliz comigo mesma.”
Quem tem o privilégio de conhecê-la percebe que o maior trunfo está em ser ela mesma. A Ellen que dispensa rótulos tem 27 anos e 59 quilos distribuídos em um corpaço de 1,77m de altura. Fosse apenas pelas medidas irretocáveis, seria somente mais uma modelo para disputar espaço no cenário da moda. Mas não. Ellen tem aquele “quê” a mais – e ele está no alto astral e no entusiasmo com que foca a vida. A própria analista da modelo diagnosticou: “Ellen, você vive em um mundo cor-de-rosa”. E você, o que respondeu? “Eu disse: ‘Cara, sou feliz assim! Não quero enxergar um mundo cinza... O mundo tem as cores que você dá a ele’.” Foi justo essa visão colorida que a fez garantir seu espaço no coração de Rodrigo Santoro. “Hiii....”, diz ela, com a mão na boca, interrompendo um gole no chocolate quente. “O que mais apaixonou ele? Ah, foi o meu astral.”
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