Foi a filha mais velha, Juliana, 29 anos, quem chamou
a atenção
de Paulo Betti, 53, para um antigo projeto: a montagem
do musical
A Canção Brasileira, estrelado
em 1933 por Vicente Celestino.
Cantora, Juliana ganhou um papel no espetáculo
dirigido pelo pai,
que cumpre temporada pelo interior paulista. O mesmo
aconteceu
com a irmã mais nova, Mariana, de 25, que é
atriz. “O elenco tem
14 atores. Dois filhos é um nepotismo razoável”,
brinca Paulo. De férias da Globo, ele se divide
entre as viagens com a peça, as filmagens de
A Casa da Mãe Joana, longa de Hugo Carvana,
e os preparativos para o lançamento, em setembro,
de seu primeiro filme como diretor: Cafundó,
vencedor de quatro prêmios no Festival de Gramado.
E encontra tempo para cuidar do filho caçula,
João, três anos, de seu segundo casamento,
com a atriz Maria Ribeiro, 30, de quem está separado
há quatro meses. O ator exibe orgulhoso a foto
do menino na estante da sala de seu apartamento, no
Rio. Com o mesmo orgulho, mostra outra imagem, que fica
no escritório: um de seus irmãos ao lado
de Lula, antes de ser eleito presidente. “Tenho
um carinho muito grande por ele”, diz o ator.
Por que se afastou do PT nas eleições de 2002?
Sempre quero estar neutro, porque minhas obrigações profissionais exigem. Sou produtor de cinema, teatro e presidente de um centro cultural no Rio – a Casa da Gávea, uma associação cultural sem fins lucrativos. Uma ligação partidária mais direta atrapalha. Quanto mais neutro eu ficar, melhor. Às vezes não consigo e meu desejo de participar se sobrepõe aos meus interesses. Vou um pouco contra a corrente. Quando estava todo mundo gritando PT, antes das últimas eleições, eu estava meio reticente. Hoje, estou um pouco mais PT.
Mesmo com os escândalos
de corrupção no governo?
Estamos num momento complexo, onde existe muita
poeira e
fumaça no ar. Não conseguimos enxergar
com clareza o que está acontecendo. Mas tenho
profunda simpatia pelo PT. Ajudei a formá-lo
e estive com ele desde os primeiros momentos. Agora,
no momento mais difícil, fico mais próximo.
Dá vontade de ajudar o PT a resolver
os problemas. Que são graves e têm que
ser resolvidos. Estamos levando porrada e meu primeiro
impulso é ajudar a defender. Não tenho
nenhuma vontade de bater, mas de defender. Essa crise
violenta me aproximou ainda mais do PT.
Seu voto é do Lula?
Meu voto está completamente decidido, eu apóio o Lula. Pelas realizações do governo dele, pelos resultados. Todo mundo vai comparar o governo Lula com o anterior, os índices econômicos, os números. E vai se perguntar: “Qual é o melhor?”. Se você pensar nisso hoje, certamente vai votar no Lula de novo. Acho que realmente ele está fazendo um governo melhor que o outro.
Acredita que ele não sabia
dos atos de corrupção?
É difícil você saber tudo
que acontece num governo. Para se ter
uma idéia, sou presidente da Casa da Gávea,
que tem cinco funcionários. Não sei tudo
que acontece. Assino pilhas de cheques
e documentos, que nem sempre é possível
ler. Qualquer pessoa que está num cargo executivo
sabe disso. Tem que confiar nas pessoas
que trabalham com você e imaginar que elas estão
fazendo tudo direito. Tenho certeza de que ele não
tinha consciência de tudo que estava acontecendo.
E nem dava para ter.
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