Entrevista  
“Sempre que me lembro, e geralmente estou atento a isso, visto branco na sexta-feira, algo mais ligado à umbanda”, diz o
ator, que considera sua religião uma mistura ente catolicismo, espiritismo e umbanda
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CONTINUAÇÃO

A vida pós-separação
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Paulo Betti
‘‘A crise me aproximou ainda mais do PT’’
Na contramão de muitos artistas, o ator diz que apóia
a reeleição de Lula, fará campanha para o PT se for
preciso e conta que, como presidente de uma
associação cultural, também assina “pilhas de cheques
e documentos, que nem sempre é possível ler”
texto: Carla Felícia
fotos: alexandre sant’anna

Foi a filha mais velha, Juliana, 29 anos, quem chamou a atenção
de Paulo Betti, 53, para um antigo projeto: a montagem do musical
A Canção Brasileira, estrelado em 1933 por Vicente Celestino.
Cantora, Juliana ganhou um papel no espetáculo dirigido pelo pai,
que cumpre temporada pelo interior paulista. O mesmo aconteceu
com a irmã mais nova, Mariana, de 25, que é atriz. “O elenco tem
14 atores. Dois filhos é um nepotismo razoável”, brinca Paulo. De férias da Globo, ele se divide entre as viagens com a peça, as filmagens de A Casa da Mãe Joana, longa de Hugo Carvana, e os preparativos para o lançamento, em setembro, de seu primeiro filme como diretor: Cafundó, vencedor de quatro prêmios no Festival de Gramado. E encontra tempo para cuidar do filho caçula, João, três anos, de seu segundo casamento, com a atriz Maria Ribeiro, 30, de quem está separado há quatro meses. O ator exibe orgulhoso a foto do menino na estante da sala de seu apartamento, no Rio. Com o mesmo orgulho, mostra outra imagem, que fica no escritório: um de seus irmãos ao lado de Lula, antes de ser eleito presidente. “Tenho um carinho muito grande por ele”, diz o ator.

Por que se afastou do PT nas eleições de 2002?
Sempre quero estar neutro, porque minhas obrigações profissionais exigem. Sou produtor de cinema, teatro e presidente de um centro cultural no Rio – a Casa da Gávea, uma associação cultural sem fins lucrativos. Uma ligação partidária mais direta atrapalha. Quanto mais neutro eu ficar, melhor. Às vezes não consigo e meu desejo de participar se sobrepõe aos meus interesses. Vou um pouco contra a corrente. Quando estava todo mundo gritando PT, antes das últimas eleições, eu estava meio reticente. Hoje, estou um pouco mais PT.

Mesmo com os escândalos de corrupção no governo?
Estamos num momento complexo, onde existe muita poeira e
fumaça no ar. Não conseguimos enxergar com clareza o que está acontecendo. Mas tenho profunda simpatia pelo PT. Ajudei a formá-lo
e estive com ele desde os primeiros momentos. Agora, no momento mais difícil, fico mais próximo. Dá vontade de ajudar o PT a resolver
os problemas. Que são graves e têm que ser resolvidos. Estamos levando porrada e meu primeiro impulso é ajudar a defender. Não tenho nenhuma vontade de bater, mas de defender. Essa crise violenta me aproximou ainda mais do PT.

Seu voto é do Lula?
Meu voto está completamente decidido, eu apóio o Lula. Pelas realizações do governo dele, pelos resultados. Todo mundo vai comparar o governo Lula com o anterior, os índices econômicos, os números. E vai se perguntar: “Qual é o melhor?”. Se você pensar nisso hoje, certamente vai votar no Lula de novo. Acho que realmente ele está fazendo um governo melhor que o outro.

Acredita que ele não sabia dos atos de corrupção?
É difícil você saber tudo que acontece num governo. Para se ter
uma idéia, sou presidente da Casa da Gávea, que tem cinco funcionários. Não sei tudo que acontece. Assino pilhas de cheques
e documentos, que nem sempre é possível ler. Qualquer pessoa que está num cargo executivo sabe disso. Tem que confiar nas pessoas
que trabalham com você e imaginar que elas estão fazendo tudo direito. Tenho certeza de que ele não tinha consciência de tudo que estava acontecendo. E nem dava para ter.