Logo
 
Teatro - Épico
Os Sertões - A Luta - Parte 2
Zé Celso Martinez Corrêa encerra adaptação de Euclides da Cunha com menor impacto
 

Quando Zé Celso Martinez Corrêa começou a adaptar Os Sertões, de Euclides da Cunha, muitos duvidaram que a tarefa fosse concluída. Não só pelo peso das palavras, de difícil transposição, mas pela ambição de recriar a Guerra de Canudos (1896-1897) em um projeto que reunia cem profissionais e atravessou seis anos. Cinco espetáculos depois, Zé Celso prova que louco é quem duvida de sua persistência e joga o derradeiro rebento na pista do Teatro Oficina.

A Luta – Parte 2 é mais um típico Zé Celso. Por sete horas, o público tenta relevar o desconforto e rende-se à atemporalidade da obra. Findo o massacre, as cicatrizes ainda estão entre nós. As crianças que manuseiam metralhadoras ou a presente ameaça do crime em São Paulo surgem simbolizadas pela matadeira, o canhão comandado pela atriz Patrícia Aguille, nos melhores momentos da montagem.

Mas falta munição. O equilíbrio entre texto e imagens que atingiu o
ápice em A Luta – Parte 1 foi esquecido. A encenação carece de uma dramaturgia mais consistente, e o próprio Euclides (Marcelo Drummond)
é presença rara. Se, em outras etapas, o público se seduzia pela grandiosidade das imagens, agora Zé Celso parece cansado e
menos crítico. A Luta – Parte 2 encerra com o brilho habitual o
desafio do Oficina, mas carece de impacto se comparado com o
conjunto. Fim de guerra.

Teatro Oficina – r. Jaceguai, 520, São Paulo,
tel. (11) 3106-2818. Até 2/7.