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Ela foi descoberta quando passeava em um shopping e foi indicada para uma agência de modelos: “O desempenho de Isis tem sido ótimo”, avalia Ricardo Waddington, diretor de núcleo responsável por Sinhá Moça
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Ensaio
Caiu o véu de Isis

Para preservar o mistério de seu personagem em
Sinhá Moça, a mineira Isis Valverde passou três
meses praticamente enclausurada e conta que
saiu de casa para morar sozinha aos 15 anos
texto Clarissa Monteagudo
foto Alexandre Sant’anna
 Ensaio: Isis Valverde tira o véu
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Ela nasceu em Aiuruoca, cidade mineira com apenas 8 mil
habitantes, é evangélica e freqüenta a Igreja Batista
O tom do telefonema não deixava espaço para dúvidas. “Você pegou a personagem. Espero que mostre que estávamos certos”, disse Luciano Rabelo, produtor de elenco de Sinhá Moça, em dezembro passado. Isis Valverde estrearia na tevê no cobiçado papel de Ana do Véu, personagem que pertencera a Patrícia Pillar na primeira versão da trama, em 1986. Ainda perplexa diante do resultado do teste, a mineira de 19 anos concordou com uma inusitada condição para fazer o trabalho. Teria que manter sigilo absoluto sobre o novo projeto. Durante três meses, a atriz só pôde revelar aos pais sua tão almejada conquista. O mistério sobre a identidade de Isis era um dos principais trunfos da novela.

A direção da emissora planejava revelar a atriz apenas no 32º capítulo, quando a personagem romperia a promessa familiar de manter-se escondida sob o véu. “Obedecemos o mesmo conceito da primeira versão, quando a Patrícia (Pillar) não era conhecida do público. O desempenho de Isis tem sido ótimo”, avalia Ricardo Waddington, diretor de núcleo responsável pela trama. Dedicada às gravações, Isis não se importou com as restrições na rotina. A atriz só saía de casa disfarçada por pesados óculos escuros e com os cabelos longos presos. Durante esse período, evitou sair à noite. Ia, no máximo, ao cinema. “Só saía de boné, que eu odeio, e uns óculos de abelha. Adotar esse visual foi a parte mais difícil. Eu ria no espelho”, conta.

Antes de conquistar a oportunidade em Sinhá Moça, Isis superou uma decepção. Ela fora reprovada para o papel de Giovana, personagem que coube a Paola Oliveira, em Belíssima, após quatro meses de testes. “Eu era muito crua”, reconhece. Decidida a seguir a carreira, inscreveu-se em cursos de interpretação. A iniciativa lhe garantiu desempenho muito superior nove meses depois, quando surgiu a chance de atuar em Sinhá Moça. “Foi o tempo de uma gestação. Vivi um renascimento”, teoriza Isis, com a tranqüilidade de quem já precisou manter a cabeça fria diante de mudanças.

Aos 15 anos, contra a vontade dos pais, deixou a cidade natal de Aiuruoca, com apenas 8 mil habitantes, para completar o segundo grau em Belo Horizonte. No apartamento alugado na capital mineira, Isis sofria diante das responsabilidades e da solidão. Além da saudade da família, aprendeu a administrar a casa, pagar contas, fazer compras no supermercado e cozinhar. “Se eu ligasse chorando, eles iam me buscar. Eu tinha que ficar forte porque não queria voltar de jeito nenhum”, lembra.

A religiosidade foi fundamental para superar as dificuldades. Isis se converteu à fé evangélica e se tornou freqüentadora da Igreja Batista. “Eu fiz a minha religião. Acredito em destino e energia. Deus me guia no caminho correto. O senhor é meu pastor e nada me faltará”, prega. A jovem foi descoberta por um olheiro quando passeava em um shopping e levada a uma agência de modelos. Com 17 anos, surgiram convites de trabalho em Istambul e Tóquio. Os pais não permitiram que a menina viajasse. Isis não desanimou. Com 18 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro. Logo foi indicada pela agência para testes na Globo. “Sabia que meus pais não poderiam me impedir para sempre. Um dia, eu iria longe e com minhas pernas”, diz.

Assistente de fotografia: João Luiz Soares
Produção: Christina Böller
Maquiagem: Carol Ribeiro com produtos Lancôme
Agradecimentos: Fábrica de Chocolates Bhering, Teodora, Colcci, Shop 126