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Carreira
A índia volta às origens

Modelo neta de índios, Suyane Moreira estréia como atriz
no filme Árido Movie, fala da cena de sexo que gravou com Selton Mello, conta que conheceu o marido na internet e
diz que lava, passa, cozinha e limpa banheiro todos os dias
texto Nádia Pontes
fotos claudio gatti
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Até os 9 anos, Suyane viveu na roça, caçava insetos e não
penteava os cabelos
Suyane Moreira é neta de índios e nasceu em Juazeiro do Norte (CE). Até os 9 anos viveu na roça, caçava insetos, não penteava os cabelos e parava sempre com o pé torto. Em 2000, ela foi quarta colocada
no concurso Supermodel of the World promovido pela agência de modelos Ford e teve de mudar de postura para atender às exigências da passarela. Fez sucesso no mundo da moda – posou para a campanha da M.Officer (e foi namorada de Carlos Miéle), do
Guaraná Antarctica, para editoriais da Vogue italiana e alemã,
desfilou em Londres e Nova York – até que uma oportunidade para atuar no cinema, na pele da índia Wedja, em Árido Movie, patrocinou um retorno às origens. “O Murilo Salles, nosso produtor, apareceu com um recorte de jornal que tinha a foto de Suyane. A convidamos para fazer o teste, mas ela já largou com vantagem sobre todas as outras candidatas”, conta Lírio Ferreira, diretor do filme, em cartaz desde o dia 14 de abril.

Aprovada depois de dois testes, em 2003, Suyane começou o
trabalho de desconstrução da modelo tomando aulas com a atriz veterana Miriam Muniz, que morreu em 2005. Ouvia sempre que tinha de parar de desfilar e passar a pisar firme no chão. “Mirian me corrigia toda hora. Eu chegava toda arrumada, ela me dava um short, uma blusinha e um chinelo. Eu não era mais modelo, era a Wedja”, lembra Suyane, 23 anos.

Foram dois meses de filmagens em Arcoverde, no agreste pernambucano, até que Suyane finalizasse a atuação recheada de takes fortes. “Tive muita dificuldade em gravar uma cena de sexo com o Selton Mello, no banheiro de um bar. Fiquei com medo. Ele conversou muito comigo e pediu para o Lírio tirar todo mundo do set”, conta ela. Giulia Gam também lhe deu dicas para encenar uma cena de choro. “Ela me ensinou que cortar uma cebola branca e passar nos cílios faz a gente chorar sem parar.”

Casada desde outubro passado, Suyane derrete-se ao falar do marido Herman (ela não revela o sobrenome), um engenheiro, filho de alemães. No apartamento onde moram em São Paulo, ela assume o lado Amélia: lava, passa, cozinha, limpa o banheiro todos os dias e dá banho no cachorro. “Não tenho empregada nem quero ter. Estou acostumada a essa vida de doméstica”, justifica. Mesmo com tantos afazeres, vai à academia diariamente e faz aula de gafieira – sem a companhia do marido, que não gosta de dançar. “Ele também não gosta que eu conte que a gente se conheceu na internet”, entrega.

Foi numa madrugada de 2004, numa sala de bate-papo on-line,
que “Morena” encontrou “Carinhoso”, apelidos escolhidos pelos dois. A conversa virtual durou dois meses, sem que um soubesse
das características físicas do outro, até que se encontraram num shopping de São Paulo. “Eu me encantei porque ele não estava interessado em saber se eu tinha peito grande, bunda grande, loira, morena, gorda ou magra.” O pedido de namoro veio uma semana após o encontro, seguido por uma festa de noivado para, um ano depois, subirem ao altar.

Suyane, que não irá abandonar a carreira de modelo, ficou satisfeita quando se viu no cinema pela primeira vez, mas quer treinar mais – irá fazer um curso de interpretação. O diretor Lírio já tem seu veredicto: “Ela será uma grande atriz. Tem o dom e os diretores não costumam se enganar”.