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Suzane
Célia Guthmann de Mesquita, 100 anos
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FOTOS: ARQUIVO PESSOAL
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Na
década de 70, com a turma da Aliança Francesa,
onde dava aulal.
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E
em 1980, numa viagem para a Inglaterra
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Suzane
se casou no Brasil em 1923, com o metalúrgico Roger
Mesquita, dono de uma fábrica no Engenho de Dentro,
subúrbio do Rio, onde o casal passou a morar. Somente
no dia do casamento ela usou maquiagem. Sua vaidade
se limitava a usar jóias quando andava nas ruas pacatas
do centro da cidade. “Não havia assaltos nem a violência
de hoje em dia”, diz.
Também
gostava de passear no Cadillac do marido. “Íamos muito
a Copacabana nos finais de semana”, conta. Roger faleceu
em 1960, vítima de problemas hepáticos. Suzane só começou
a dar aulas de francês em 1930, quando seu marido perdeu
o emprego durante a revolução de 30. “Ele não gostava
muito que eu trabalhasse, mas, como precisávamos de
dinheiro, acabou aceitando”, lembra. “Eu ia à casa dos
alunos de bonde”, conta Suzane. Até então, ela era apenas
pintora. Em seu currículo, destacam-se medalhas de bronze
e prata recebidas da Sociedade Brasileira de Pintura.
Em 1943, Suzane ingressou para o corpo docente da Aliança
Francesa, onde permaneceu até 1983, quando voltou a
dar aulas particulares.
Durante
o período da Segunda Guerra Mundial, ela ganhou vários
alunos. “Muitos estrangeiros se refugiaram no Brasil,
onde o francês era idioma obrigatório nos colégios naquela
época”, conta. A professora orgulha-se de nunca ter
faltado a um dia de trabalho, nem mesmo quando fraturou
o braço. Entre os seus alunos famosos, destacaram-se
o ministro Mario Henrique Simonsen e o poeta Vinícius
de Moraes. “Dei aula para o Simonsen dos 6 aos 20 anos”,
conta. “Ele gostava de exibir as medalhas com as quais
era condecorado na escola”, diverte-se.
Vinícius
de Moraes era o oposto. “Estudava, mas era muito avoado”,
conta a professora. Ela se recorda do primeiro dia em
que foi até a casa do poeta, então com 18 anos, para
lhe dar aula particular de francês. “Fiquei perdida
porque ele me deu o endereço errado”, lembra. “Ele não
sabia o número de sua casa de cor”, conta Suzane. Vinícius
se preparava para o exame do Itamaraty. “Ele só não
passou de primeira porque assinou o nome na prova, contrariando
o regulamento”, conta.
Com
suas economias, Suzane comprou o apartamento no Catete,
onde mora sozinha. Cheia de saúde, ela vibra por ter
chegado aos 100 anos, mas lamenta não poder mais sair
de casa sozinha. Como se locomove com o auxílio de uma
bengala, ela precisa de ajuda para caminhar e atravessar
a rua. “Sempre adorei passear e ser independente”, afirma.
“Mas agora tenho que ter uma acompanhante para me orientar”,
diz. Em casa, se distrai vendo tevê ou filmes. “Acompanhei
a evolução do cinema mudo, falado e, depois, colorido”,
conta. “Também vi a tevê e as telenovelas surgirem”,
acrescenta. Há três anos, Suzane parou de fazer suas
viagens internacionais. “Mas se for dentro do Brasil,
não perco uma viagem”, afirma, eufórica.
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