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Suzane
Célia Guthmann de Mesquita, 100 anos
Professora de alunos famosos
A pintora estudou com Portinari e Burle Marx, começou
a dar aulas de francês durante a Revolução de 1930,
teve como alunos Mario Henrique Simonsen e Vinícius
de Moraes, nunca usou calça comprida e maquiou-se uma
única vez, para se casar
Viviane
Rosalem
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Andrea Marques
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Na
Escola de Belas Artes, ela conheceu Portinari
e Burle Max: “Portinari era sério e quieto e Marx,
adorável.
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O dia 8 de março de 2000 virou um marco na vida da professora
de francês Suzane Célia Guthmann de Mesquita. Ela fez
100 anos no mesmo dia em que se comemora anualmente
o Dia Internacional da Mulher. Madame Mesquita, como
é conhecida entre os amigos, dá aulas particulares de
francês e soma no currículo centenas de alunos que estiveram
sob seus cuidados em 70 anos de carreira. “Meu trabalho
supriu a carência de ser mãe”, garante.
Nascida em Paris, a professora morou até os 19 anos
em Buenos Aires. Seus pais, o joalheiro francês Benjamin
Guthmann e a dona de casa Rena Guthmann, se mudaram
para a capital argentina, onde tinham parentes, quando
Suzane ainda era criança. A infância da menina foi bem
tranqüila. “Naquela época, as crianças só brincavam
no jardim de suas casas, não iam para a rua”, explica.
“E eu não podia sujar ou rasgar minha roupa”, conta.
Para brincar, ela usava uma saia plissada e uma blusa
tipo marinheiro, vinda especialmente de Paris. “Não
gostava de usar aquele mesmo uniforme, que só mudava
de cor”, conta.
Na
escola, Suzane sempre foi a primeira da classe. Para
o colégio, ela ia a pé ou de bonde, único meio de transporte
na época. “Quando ia com minha família a Palermo, pegávamos
uma espécie de carruagem com cocheiro”, lembra. O chapéu
e as luvas eram obrigatórios. As saias deveriam estar
sempre abaixo do joelho. “Nunca usei calças compridas,
nem mesmo depois que virou moda”, diz.
Aluna
da Escola de Belas Artes de Buenos Aires, Suzane se
formou professora de desenho. Foi com esta profissão
que ela chegou ao Brasil em 1919, para onde se mudou
com os pais e o irmão, Paul. Não demorou muito para
aprender o português. “Tínhamos parentes em Petrópolis,
mas meus pais preferiram morar em Santa Teresa, próximo
ao centro da cidade”, conta. Já adaptada ao Rio de Janeiro,
Suzane ingressou na Escola de Belas Artes, onde hoje
funciona o Museu Nacional de Belas Artes. Lá, conheceu
Portinari e Burle Marx. “Portinari era sério e quieto”,
lembra. Burle Marx se destacava pelo bom humor e criatividade:
“Ele era adorável e só não íamos a exposições juntos
porque, naquele tempo, mulher casada só saía com o marido”,
enfatiza.
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