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Sucesso
Xandy:
O novo balanço baiano
Ex-vendedor de pastéis, o cantor do Harmonia do Samba
virou sensação com rebolado, mas sambava como alemão
Gerson
de Faria
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Foto: Marco Aurélio
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O
cantor começou na música cantando no coral de
uma entidade para menores carentes e hoje é assediado
até por homens: “Mas eu gosto de mulher”, diz
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Difícil
acreditar que até ensaiar seus primeiros passos
à frente do grupo Harmonia do Samba, o baiano
Xandy sambava com a ginga e a graça de um alemão.
O cara era duro feito um poste, conta o
percussionista da banda, Martins Santes, que o estimulou
a caprichar no rebolado. Foi para compensar a saída
das sheyllas, como eram chamadas as dançarinas
de frente, que ele apimentou suas apresentações
com um insuperável jogo de quadris. O resto
veio com ensaio na frente do espelho, conta. Às
performances, adicione-se uma estampa moldada em 1,90m
e 91 quilos e está feita a combustão.
Aos 20 anos, Xandy é a nova sensação
da música baiana. No verão de Salvador,
roubou a cena da axé music com um pagode cheio
de requebros. Estourou nas rádios e invadiu bares
e barracas de praia, lançando moda e ganhando
adeptos de sua dança, de ambos os sexos. A rádio
Link de Salvador, especializada em monitorar a programação
de 13 rádios AM e FM da cidade, registrou em
fevereiro e março que os hits do Harmonia do
Samba foram tocados 35 vezes por dia. Não
me lembro de nenhum artista ter alcançado uma
marca dessas, diz Atila Torres, da rádio
Link.
A escalada do grupo, formado em 1994, foi rápida.
Até
1998, as apresentações se restringiam
ao circuito do bairro de São Caetano, na periferia
de Salvador. Nessa época, Manuel Alexandre de
Oliveira, o Xandy, juntou-se aos outros integrantes
da banda, todos vizinhos e de origem humilde como a
dele. Para ajudar a sustentar a casa, vendeu pastéis
e fez bicos em oficinas mecânicas. Desde os 12
anos e até se projetar, freqüentou a Organização
do Auxílio Fraterno OAF, entidade de prestígio
internacional voltada para o ensino técnico e
assistência de menores carentes ou infratores.
Tem gente que desenvolve resistência incomum
a situações adversas. O Xandy é
assim. Faz da alegria de viver o segredo de seu sucesso,
diz o padre jesuíta Clodoveo Piazza, que o acompanhou
na adolescência.
Foi na OAF que Xandy fez suas primeiras incursões
na música, no coral mantido pela instituição.
Chegou a formar um grupo de rap e trocou de tribo quando
descobriu o pagode. No Harmonia, passou a compor com
o baixista Bimba o repertório do grupo, salpicando
parte das letras com versos maliciosos. Por isso, o
grupo virou um fenômeno e vendeu 250 mil cópias
em seu disco de estréia. Em menos de um ano,
o cantor virou sócio da banda e parceiro de Bimba.
Conseguiu deixar para trás a vida dura.
Comprou
um Vectra e uma casa onde mora com a mãe, Judite,
e os irmãos Jackson, 17 anos, e Bárbara,
10. É cobiçado por mulheres e homens,
que chegam a assediá-lo com propostas em dinheiro.
Já jogaram cheque em branco na minha mesa,
conta. Em resposta, deu tratamento diplomático
ao interesse masculino. Eu gosto de mulher.
No auge, Xandy vê com desconfiança o sucesso
rápido. Sempre preserva o nome da banda, apesar
de ter se destacado. Preciso do grupo, diz
ele.
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