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Suzana não quer ficar para Tiazinha

Piti Reali
Suzana na cobertura em Perdizes, que custou R$ 960 mil: “Fiquei deslumbrada”

ERROS DE ESTRATÉGIA
Saraiva argumenta que os erros ocorreram porque ela ouvia mais pessoas do que deveria. Entre os equívocos cometidos por ela, Saraiva cita a estratégia de privilegiar o público infantil na primeira versão, deixando de lado o adolescente.

“Agora voltou a ser mais adulto, mais sensual.” A mudança veio com um terceiro diretor para o programa, em quatro meses, Rodolfo Silot, e com o novo roteirista, o escritor Marcelo Rubens Paiva. Desde a reestréia, na segunda-feira 20, porém, a audiência média se mantém: 2 a 3 pontos no Ibope. “Ainda assim, a marca Tiazinha é forte, seria um erro abandoná-la. É como se a Xuxa começasse uma nova carreira”, compara Saraiva.

Para Suzana, a morte de Tiazinha se tornou uma necessidade. “Estou investindo na carreira de atriz e cantora, quero interpretar outros personagens.” Ela conta que levou a mascarada para o divã do analista. “Fui fazer terapia porque estava vulnerável. Tinha medo de confundir, de viver a personagem. O Brasil inteiro só tinha a Tiazinha na cabeça.” O empresário Eriberto discorda de que a marca dê sinais de esgotamento, mas planeja vôos mais altos para a sua cliente. “Quero trabalhar Suzana em três segmentos: o de apresentadora, o de atriz e o de cantora. Aos poucos, a Suzana vai pondo a máscara da Tiazinha no bolso”, diz.

Nesse ponto, Suzana se depara com outro fracasso: até o momento, talvez devido às próprias características da personagem que incorporou, ela não demonstrou virtudes artísticas. Mas Eriberto, que cuida até da orientação financeira da atriz, garante: “Ela está estudando, se esforçando. Em 2001, estará preparada. É afinada e tem tudo para ser uma grande atriz.” Segundo ele, apesar da nova direção que está impondo à carreira de sua cliente, a mascarada ainda tem fôlego, principalmente fora do Brasil. “Em Portugal, tivemos a proposta de fazer 40 shows até junho, em dois períodos por mês. Nós é que não aceitamos.” Lá, Tiazinha recebeu o título de Rainha do Carnaval e o seu CD, Tiazinha Faz a Festa, lançado pela Sony Music no ano passado, tem tocado nas rádios. No Brasil, o encalhe foi de 100 mil cópias.

Ela chegou a faturar por mês mais de R$ 100 mil e agora mantém o patamar, mesmo sem fazer shows e com a queda no número de produtos licenciados. Eriberto diz que conseguiu isso mudando os termos dos contratos de merchandising e criando novas ações junto aos patrocinadores do programa da Bandeirantes (Ericsson, Grendene e o provedor de internet Terra), como a transmissão do making of pela internet. No lugar dos shows, Suzana faz aparições em eventos, pelas quais cobra até R$ 15 mil.

Eriberto vem tentando também controlar os gastos de Suzana. Ela mesma admite que exagerou: foram milhares de reais em vestidos e acessórios Prada, Fendi e Gucci (suas marcas preferidas) e R$ 960 mil na compra da cobertura em Perdizes. “Fiquei deslumbrada, não precisava ter comprado um apartamento tão caro aos 20 anos.” De acordo com Eriberto – que é pai do namorado de Suzana, o ator Eriberto Leão – em dois meses ela terá quitado o imóvel, onde vai morar com os pais, Lúcia e Geraldo. Casa nova, vida nova, carreira nem tanto. O certo é que, daqui para a frente, se Suzana Alves repetir a história de Tiazinha e fracassar, será apenas pelos próprios defeitos. Colaborou Alessandra Nalio Agradecimentos ao Hotel Sofitel São Paulo

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