|
|

Capa
Suzana
não quer ficar para Tiazinha
A atriz Suzana Alves diz que conduziu mal a carreira,
foi enganada por empresários, ficou deslumbrada com
o dinheiro e pretende aposentar personagem que a projetou
Paula
Quental
|
Piti
Reali
|
|
|
|
“Estou
mudando, de agora em diante sou Suzana Alves.
Sobrevivi porque eu tenho talento”, diz ela
|
Nesta semana, quando tomar o elevador revestido de granito
preto do imponente edifício localizado na rua Aimberê,
no bairro de Perdizes, um dos mais caros de São Paulo,
para alcançar o 19.º andar – e, de lá, a cobertura com
vista panorâmica de 360 graus –, Suzana Alves, a Tiazinha,
estará fazendo uma mudança real e outra simbólica em
sua vida.
Na
primeira, os sofás, mesas, poltronas e camas que chegarão
nos próximos dias permitirão a Suzana e a sua família
deixar o antigo apartamento no bairro da Freguesia do
Ó. A outra é mais complexa. Tudo o que existe no apartamento
de 680 metros quadrados de área total ela deve a Tiazinha,
a personagem rebolativa consagrada nacionalmente no
Carnaval do ano passado. Foi ela quem colocou Suzana
lá em cima. Mas, uma vez lá, ela pretende passar a descer
no elevador sem o ônus da fantasia mascarada. “Estou
mudando, de agora em diante sou Suzana Alves”, diz.
As
duas mudanças da atriz traduzem uma constatação e uma
aposta. Tiazinha está morrendo lentamente, de inanição,
mas ainda sem data para sair de cena. Quando estourou
na mídia do País, há um ano, ela tinha 20 contratos
para divulgar a marca em mais de 100 produtos. Agora,
seu atual empresário, Eriberto Monteiro, garante que
são 12 contratos para 30 produtos, mas o número é contestado
por um especialista em licenciamentos. “Tiazinha não
tem mais do que três contratos e sua marca não interessa
a mais ninguém”, diz o empresário Marcos Saraiva, que
chegou a fechar a maior parte dos contratos assinados
por ela no ano passado e deixou de trabalhar com Suzana
no final de 1999.
Um
dos contratos mais importantes, com a fabricante de
lingerie Lovable, que vendeu mais de 2 milhões de peças,
expirou no final do ano passado e não foi renovado.
Um dos motivos, o fato de Tiazinha não aparecer mais
vestida a caráter, de corpete e cinta-liga, como no
extinto programa H, da Rede Bandeirantes, onde surgiu.
Parte do fracasso da personagem Suzana se deve a sua
inexperiência – o que lhe provoca arrependimentos.
Ela
acusa seus ex-empresários Francisco Amato e Luís Paulo
Simonetti e o apresentador Luciano Huck, criador do
H, de agir de forma oportunista e faturar mais do que
deveriam em cima da Tiazinha. “Já assinei contrato em
corredor, em aeroporto, sem ler. O Chico Amato me fez
assinar sem eu nem saber quem era ele. Isso antes de
eu estourar, tinha só 15 dias de programa.” Suzana não
percebeu que, ao fechar contrato com Amato, cedia a
ele, dono da T Amato Indústria e Comércio de Calçados,
sediada em Diadema, Grande São Paulo, 40% de todo o
seu faturamento futuro com comerciais, shows, eventos
promocionais e produtos com a marca Tiazinha. “Chico
registrou o nome da Sasha antes dela nascer. Ele vive
disso”, acusa.
O
mau negócio só foi desfeito em 4 de outubro, com um
acordo na Justiça pelo qual Amato se comprometeu a ceder
os direitos sobre a marca Tiazinha em troca de uma quantia
mantida em sigilo. Quatro meses antes, ele havia tentado
embolsar 40% do que ela havia recebido pela venda de
1,2 milhão de exemplares da revista Playboy de março
de 1999, que a trazia na capa. Amato diz que não se
lembra de ter feito Suzana assinar contratos às pressas.
“Fizemos um acordo. Não sei por que ela está falando
essas bobagens. Tenho muito carinho por ela e quero
que sua carreira decole”, rebate.
Com
Luís Paulo Simonetti, conhecido como LP, ex-diretor
do H e hoje no comando do programa Mais Você, de Ana
Maria Braga, na Rede Globo, ela assinou contrato após
desistir de Amato, sem cancelar oficialmente o contrato
anterior. De LP, Suzana se queixa que ele não soube
orientá-la na carreira, até por inexperiência. “Ele
era diretor de tevê, não empresário.” Suzana acrescenta:
“O Chico, o LP, a Bandeirantes, o Luciano, todo mundo
achava que era dono da Tiazinha.
Todo
mundo ganhou dinheiro em cima de mim”. Diz que continua
amiga de Luciano Huck, mas que ele também teve a intenção
de tirar proveito da Tiazinha. “Ele dizia que tinha
direitos, que era dono, e que o pai dele era advogado.
O Luciano fez um auê.” LP, Simonetti e Luciano Huck,
procurados por Gente, disseram que preferem não falar
sobre o assunto. A assessoria de imprensa da Bandeirantes
avisou que a emissora não se pronuncia sobre contratos.
Para escapar do emaranhado de contratos e comissões
que ela assinou, Suzana recorreu ao advogado Sérgio
D’Antino. Segundo ele, os contratos com os três empresários,
somados ao fixado com a Marcas Licensing & Marketing,
de Marcos Saraiva, e com a própria Bandeirantes, significariam,
se cumpridos rigorosamente, a transferência de “mais
de 100% do que Suzana ganhava”.
Página
2
|