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Drama
O
choro do rei
Deprimido, Roberto Carlos não sai de casa para ir à
missa, reza na capela de seu estúdio e se apega à gravação
de um novo disco para abrandar a tristeza pela ausência
de Maria Rita
Gisele
Vitória
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Max Pinto
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Roberto
Carlos concentra-se em orações para superar a
morte da mulher e tem recorrido à novena Mãe Peregrina
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Três meses após a morte da professora Maria Rita Simões
Braga, o cantor e compositor Roberto Carlos ainda sofre
com a perda da mulher. Mesmo tentando se concentrar
no trabalho, o Rei está deprimido. Na quarta-feira 22,
ele desabafou com um amigo por telefone. Disse que se
lembra de Maria Rita em tudo o que faz e aonde quer
que vá. “Não sabia que tinha tanto para chorar e nem
que tinha tantas lágrimas. Quando encontro a mulher
da minha vida, acontece isso”, lamentou o Rei ao amigo.
Sozinho no apartamento da Urca, no Rio, onde morava
com Maria Rita, Roberto só sai de casa para ir ao seu
estúdio de gravação, ao lado de seu prédio.
Nem
às missas que costumava freqüentar todos os domingos
na igreja Nossa Senhora do Brasil, na Urca, ele tem
ido. “Ele não tem vindo à igreja”, afirma o padre Antônio
José Moraes. “Mas atribuo sua ausência ao fato de estar
gravando”, acredita. Roberto reza na capela do próprio
estúdio, na qual também manda realizar missas particulares
com a presença de amigos e de pessoas que trabalham
com ele. “Não tenho saído porque não quero cruzar com
fotógrafos nem falar com jornalistas, que ficam na porta
da igreja”, explicou Roberto ao mesmo amigo. “Também
não tenho vontade de ver ninguém e nem de passear. Para
onde vou, vejo Maria Rita.”
REFORMA
A capela Nossa Senhora do Carmo, que já existia na casa
onde está localizado o estúdio do Rei, foi reformada
por Maria Rita antes de seu estado se agravar. “Um domingo
desses, ele organizou uma missa no estúdio com as pessoas
que estavam lá”, relata um parente. O padre Antônio
Maria, amigo de Roberto Carlos, conta que deu de presente
uma imagem de Nossa Senhora do Carmo para ficar na capela.
“Roberto era mais preocupado com a reforma da capela
do que com a do estúdio”, diz o padre. A última vez
que o padre falou com Roberto Carlos foi há duas semanas.“Ele
deu aquela risadinha e disse: ‘É, padre, dói bastante
mas estou levando’”, conta Antônio Maria. Segundo o
padre, o período mais difícil depois da morte da mulher
foi o Natal. Maria Rita morreu de câncer generalizado
no dia 19 de dezembro no Hospital Albert Einstein, em
São Paulo, e Roberto passou o Natal na casa do filho,
Dudu Braga. Na época, ele contou ao padre que sua neta
Giovana, de 2 anos e meio, foi a “grande bênção” da
ocasião. “Ela cantou a música ‘Nossa Senhora’ para mim.
Foi o que me animou”, disse Roberto ao padre.
Depois de adiar por duas vezes seu retorno aos palcos,
o cantor já marcou data e local para o início de uma
turnê pelo Nordeste. Será dia 4 de maio, em Recife.
Em junho, já tem shows marcados no Rio de Janeiro, na
casa de espetáculos ATL Hall. Inicialmente prevista
para dezembro, a temporada carioca teve que ser transferida
devido ao agravamento da doença de Maria Rita. Além
disso, o Rei prepara-se para lançar um CD sertanejo.
Ele não está compondo novas músicas, mas trabalhando
em cima de composições anteriores à morte da mulher.
O que tenta é se apegar às gravações para não se entregar
à tristeza. “Ele tem momentos de recaída normais de
quem perdeu a esposa e encontra apoio no trabalho”,
diz um parente do Rei. Sempre apegado a sua fé, o cantor
não está tomando nenhum medicamento contra depressão
e prefere rezar novenas. A sua preferida tem sido a
popularmente conhecida entre os católicos como Mãe Peregrina.
Ao amigo com quem conversou, disse que não sente menos
fé por tudo o que aconteceu e que Deus vai ajudá-lo
a abrandar o sofrimento.
“Ele tem se dedicado mais à religião”, confirma o padre
Moraes. Clara e Thomaz Magalhães, amigos mais íntimos
do Rei e dos poucos que assistiram à cerimônia de seu
casamento com Maria Rita, têm conversado com o cantor
pelo telefone. A última vez em que se encontraram pessoalmente
com ele foi na missa celebrada um mês após a morte da
mulher do cantor. “Ele está saudoso como qualquer pessoa
que perde alguém querido”, diz Clara. “Ele me disse
que reza diariamente”, afirma ela. “Numa das últimas
vezes em que nos falamos, ele ressaltou que quer privacidade,
que é hora de ficar quieto”, enfatizou Clara. “Então,
estamos respeitando sua vontade.”
Colaboraram
Viviane Rosalem e Rodrigo Cardosora
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