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Política
As
andanças do filho do presidente
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André Durão
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“Com
todo o orgulho que tenho de ser filho de presidente,
sou obrigado a lidar com expectativas que têm
de ser cumpridas, mesmo que eu não queira cumpri-las”,
diz Paulo Henrique Cardoso
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A
presença do filho do presidente em um cargo como esse
gerou situações de constrangimento. Numa reunião ocorrida
em 14 de setembro no Ministério do Turismo, com 18 representantes
ministeriais, Paulo Henrique disse que queria mostrar
aos países do primeiro mundo que aqui se tem “multiintegração
racial, diversidade e competitividade internacional”.
“Afinal, temos até um presidente mulato”, concluiu,
provocando risos contidos dos participantes.
“Não podemos nos preocupar com os custos dos projetos,
porque eu estarei me empenhando para mostrar aos ministros
a importância desse investimento na Expo 2000”, disse
o filho do presidente. “Entendo que o Brasil possa expor
outros temas em seu pavilhão, como suas mulatas, suas
sambistas”, retrucou o alemão Thomas Timm, representante
da Câmara do Comércio Brasil Alemanha de São Paulo.
“Mas não convém ao Brasil concentrar esforços num estande
baseado em tecnologia”, concluiu. “Não devemos demonstrar
um projeto individual de um ministério ou empresa num
contexto que é global”, argumenta Paulo Henrique.
LIGAÇÕES
PERIGOSAS
Mas Paulo Henrique já foi alvo de especulações sobre
influências paralelas na economia nacional. Concessionária
de serviços na área de energia elétrica, há um mês a
Inepar foi a beneficiária de uma decisão do governo
que causou perplexidade no mercado. Em 24 de fevereiro,
a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) revogou
a licitação pública para concessão da linha de transmissão
de energia Tucuruí-Vila do Conde, no Pará. Um mês antes,
a Inepar havia perdido a concorrência para o consórcio
das empresas Schahin/Alusa.
A
Aneel alegou “pioneirismo” da licitação e excesso de
recursos ingressados pelos dois consórcios, o que prejudicaria
o andamento da obra. A Schahin recorreu à Justiça. “Não
sabemos dizer por que a Aneel tomou essa decisão, nossa
proposta era a melhor e fomos pegos de surpresa”, afirmou
o diretor jurídico da Schahin, Rinaldo Zangirolami.
Um alto funcionário da empresa jogou mais lenha na fogueira.
“Tivemos informação de que a concorrente contou com
ajuda de interlocutores influentes no governo, como
Paulo Henrique Cardoso”, disse ele, que não quis se
identificar.
“Ter o filho do presidente da República como representante
de uma empresa é um lobby maravilhoso”, comenta um parlamentar
com negócios na área de construção civil. “Jamais fui
lobista e acho inacreditável essa discussão”, irrita-se
Paulo Henrique. “É evidente que um empresário do porte
de Atilano não precisaria de uma pessoa como eu para
chegar ao governo”, completa o primeiro filho.
A
carreira do filho do presidente da República não prima
pela estabilidade profissional – como sempre buscaram
seus pais, profissionais de carreira acadêmica pela
Universidade de São Paulo. Paulo Henrique chegou a cursar
Economia na Unicamp, época em que andava de jipe e usava
cabelos compridos, mas acabou formando-se em Sociologia
pela mesma universidade. Nunca se interessou em mergulhar
em pesquisas e estudos acadêmicos. Mas abraçou a carreira
de marketing e publicidade e fundou, nos anos 70, uma
produtora independente, a Rádio 2. Durou pouco.
Já
na década seguinte, ingressou no meio cultural e arrumou
trabalho na produtora de cinema e vídeo Intervalo, de
Walter Salles Júnior. Mudou novamente de emprego e foi
parar na Miksom, outra produtora de vídeo, na função
de diretor. Passou pela Rádio MEC, quando seu pai Fernando
Henrique era senador, e pela extinta TV Manchete. Em
1995, quando Fernando Henrique vestia a faixa presidencial,
Paulo Henrique arrumou emprego na ex-estatal Companhia
Siderúrgica Nacional. Tinha como função primordial cuidar
da imagem institucional da siderúrgica. Também durou
pouco no cargo. E saiu para assumir, em 1997, um cargo
em marketing da ex-estatal Light, no Rio de Janeiro.
“Ele sempre foi da área de marketing, mas agora estou
feliz porque ele está atuando com sucesso na área empresarial”,
diz Bulhões.
Xodó
da mãe, Paulo Henrique aprendeu com ela a cozinhar,
lavar, passar e até costurar. Com o pai, teve a vivência
do exílio político no Chile e na França. No Chile, PHC
viveu dos 10 aos 14 anos, depois acompanhou o pai na
passagem pela França, Inglaterra e Berkeley, na Califórnia.
Aprendeu a falar fluentemente inglês, francês e espanhol.
“Tenho muita admiração pelos meus pais. Hoje vejo o
que representou o fato de minha casa ter sido um ponto
de encontro e de debates durante o exílio.” É também
elogiado pelos amigos. “Ele é brilhante e um excelente
relações públicas”, define o deputado federal Xico Graziano
(PSDB-SP). “Ele é mais expansivo que o pai e gosta de
política, só não gosta da militância política”, diz
o ex-secretário-geral da Presidência da República Eduardo
Jorge Caldas.
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