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Política
As
andanças do filho do presidente
Paulo Henrique Cardoso trabalha em revista trimestral,
anda numa BMW blindada e usa jatinho de empresário para
voar entre Rio e São Paulo
Cláudia
Carneiro
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André Durão
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Flagrado
por Gente no seu cooper diário, às 11 horas da
sexta-feira 24, na praia de São Conrado, onde
mora, no Rio: exercícios para manter a forma antes
de ir para o trabalho.
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Paulo Henrique Cardoso, 45 anos, filho do presidente
da República, é um sociólogo por formação acadêmica
– estudou na Unicamp, logo após a família voltar dos
anos de exílio, durante o governo militar. Mas nunca
abraçou exatamente o que a carreira lhe oferece. É hoje
diretor-geral da recém-lançada Brasil Sempre, uma publicação
trimestral com mais de 150 páginas, com oito mil exemplares
de tiragem.
A
revista não é vendida em bancas. É distribuída para
embaixadas, organismos internacionais e empresas. É
um produto do Conselho Empresarial Brasileiro para o
Desenvolvimento Sustentável (Cebds), organização não-governamental
carioca ligada a 55 grupos empresariais e que tem como
objetivo discutir problemas relacionados ao meio ambiente
e à atuação das empresas brasileiras num mundo globalizado.
Mais
pomposo que o nome do Conselho é a lista dos conselheiros
editoriais da revista, que mais parece a relação dos
representantes do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.
Estão estampados na página 2 Álvaro Cunha, das Organizações
Odebrecht, Jorge Gerdau Johannpeter, da Metalúrgica
Gerdau, Antônio Ermírio de Moraes, do grupo Votorantim,
Benjamin Steinbruch, da Companhia Siderúrgica Nacional,
só para citar alguns deles.
Para
fazer as vezes de jornalista da publicação, na qual
realiza entrevistas com nomes do empresariado brasileiro,
Paulo Henrique ganha bem, trabalha pouco e gosta menos
ainda O emprego oferece jornada de trabalho sem obrigações
ou compromissos todos os dias, e não exige dedicação
exclusiva. E ainda garante viagens, alimentação e outras
despesas pagas pela instituição. “O Paulo Henrique custa
pouco para nós”, afirma Félix de Bulhões, presidente
do Cebds. PHC, como é chamado por alguns políticos e
assessores do presidente, não tem cargo público e nunca
foi personagem de peso do universo empresarial. “Com
todo o orgulho que tenho de ser filho de presidente,
sou obrigado a lidar com expectativas que têm de ser
cumpridas, mesmo que eu não queira cumpri-las”, disse
Paulo Henrique Cardoso a Gente.
O
mais velho dos três filhos do presidente também trabalhou
como conselheiro de algumas empresas. Atilano de Oms
Sobrinho, presidente da Inepar – Indústrias Elétricas
do Paraná Ltda., convidou-o há dois anos a fazer parte
do Conselho de Desenvolvimento Estratégico da empresa,
ao lado de nomes notórios como os ex-ministros Aureliano
Chaves, Rafael de Almeida Magalhães e Eliezer Batista.
No Brasil, a remuneração paga a esse tipo de função
varia de R$ 5 mil a R$ 15 mil para cada uma das reuniões
esporádicas da qual participam os conselheiros – em
que são discutidas questões de interesse da empresa,
como cenários econômicos e rumos estratégicos para o
negócio. Paulo Henrique permaneceu no conselho até meados
de 1999. Saiu e manteve os amigos. Tanto que ele tem
a sua disposição o jatinho que pertence a Oms Sobrinho
– que eventualmente usa em seus deslocamentos entre
Rio e São Paulo. “Estava difícil conciliar a agenda
de trabalho do Cebds com o projeto proposto pela Inepar”,
diz.
SOLTEIRO
COBIÇADO
Para manter a forma física, ele faz caminhadas sempre
a partir de 11 horas da manhã, no calçadão da praia
de São Conrado, zona sul do Rio. Vive hoje num confortável
apartamento em São Conrado, cujo aluguel é estimado
por imobiliárias locais em R$ 4 mil por mês. Mas o apartamento
é de propriedade da família Almeida Braga, do Banco
Icatu, e por conta disso, garantem amigos da família
Cardoso, Paulo Henrique desembolsa um valor menor pela
moradia.
Para
se locomover na Cidade Maravilhosa, ele utiliza uma
BMW blindada, sempre acompanhado por guarda-costas e
seguranças do Exército brasileiro. Paulo Henrique é
um dos solteiros mais cobiçados dos salões da alta sociedade.
Não faltaram namoradas depois da separação, em 1997,
de Ana Lúcia Magalhães Pinto, herdeira do Banco Nacional,
com quem esteve casado por 17 anos e com quem tem as
filhas gêmeas Joana e Helena, de 13 anos. Ele se separou
um ano depois da intervenção do Banco Central nas empresas
da família de Ana Lúcia. A primeira empreitada de solteiro
foi com Tereza Collor, 35, a viúva de Pedro Collor de
Mello.
O
romance durou oito meses, contados no calendário. Está
há um ano e meio de namoro com a consultora de artes
Evangelina Seiler, 42 anos, a quem conheceu quando ela
separou-se do marido na Suíça e retornou ao Brasil.
Casamento? “Nenhum de nós dois fez essa pergunta ao
outro”, garante Paulo Henrique. Sua rotina tem sofrido
alterações há um ano, desde que se envolveu no projeto
de R$ 14 milhões oriundos de recursos públicos e destinados
à montagem e organização do pavilhão brasileiro na Expo
2000, que acontece em Hannover, na Alemanha, a partir
de 1.º de junho.
Por
conta da nova empreitada, ele viaja a Brasília quase
toda semana. “Não ganho um tostão nesse trabalho”, diz
Paulo Henrique. Quando há necessidade de ficar na capital
federal, Paulo Henrique mostra a face de filho de presidente
e se hospeda no Palácio da Alvorada, moradia oficial
do presidente e da primeira- dama, Ruth Cardoso. Paulo
Henrique Cardoso é o representante de um grupo de empresas
brasileiras no comissariado-geral que levará produtos
e projetos artísticos e culturais brasileiros para serem
expostos na Feira de Hannover. Foi colocado ali pelo
governo comandado por seu pai, que constituiu por decreto
o Conselho Empresarial para os 500 Anos, numa parceria
com o Cebds.
O
tema do pavilhão escolhido pelo Itamaraty é “Homem,
Natureza e Tecnologia”. “O Conselho foi convidado e
aceitou participar da conceituação porque atuamos na
tese do desenvolvimento sustentável”, explicou Paulo
Henrique. “Não vou negar que tentamos, sim, influenciar
o governo para o Brasil discutir o desenvolvimento sustentável
em Hannover, porque esta é a feira mais importante do
final do milênio e qualifica o País para ser mais competitivo”,
diz Bulhões.
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