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Chapeu
Os
pincéis de Parreira
O técnico tetracampeão Carlos Alberto Parreira aproveita
o desemprego para pintar quadros e preparar sua terceira
exposição
Vivianne
Cohen
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André Durão
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“Gosto
de retratar a natureza”, diz o técnico-pintor
Carlos Alberto Parreira
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Carlos Alberto Gomes Parreira, 57 anos, é um homem vitorioso
no futebol, mas está desempregado. Acumula 18 títulos
em seus 33 anos de carreira como treinador. O principal
deles foi a Copa do Mundo de 1994, disputada nos Estados
Unidos. Apesar do currículo invejado, que o ajudou a
construir um bom patrimônio, ele desdenha da profissão
que o tornou respeitado em todo o planeta. “Nunca quis
ser técnico.”
O
sonho do menino de família humilde, órfão de pai aos
2 anos e que morava no subúrbio carioca de Magalhães
Bastos, sempre foi ser preparador físico. Ele se decidiu
pela profissão aos 15 anos. Assistia ao programa futebolístico
exibido nos cinemas Canal 100 quando se encantou com
a atuação do preparador Paulo Amaral, responsável pelo
fôlego da equipe brasileira na Copa de 58, na Suécia.
Passou no vestibular para a Escola Nacional de Educação
Física, da Universidade do Brasil, hoje UFRJ, mas precisou
trabalhar num banco para arcar com os custos dos livros.
Formado em 1967, Parreira dividiu seu tempo entre o
serviço público, na Secretaria de Fazenda, na qual era
controlador, e o clube carioca do São Cristóvão.
O
aperto financeiro faz parte do passado. Demitido há
dois meses do Fluminense, Parreira garante que ainda
não arranjou outro emprego por opção. Com o tempo livre,
ele se dedica a pintar quadros para sua terceira exposição
e a freqüentar leilões de arte. “Gosto de retratar a
natureza”, diz. Parreira lê livros de filosofia e gosta
de saber tudo sobre tapetes persas, que coleciona em
casa, na Barra da Tijuca. Nos finais de semana, viaja
para Angra dos Reis, onde guarda seu barco e faz jantares.
“Ele faz uma paella muito boa”, elogia Leila, 52 anos,
sua mulher.
O
destino do técnico começou a ser traçado quando passou
num concurso do Itamaraty, destinado a selecionar um
brasileiro para treinar a seleção de Gana, na África,
onde morou por um ano. “A concentração era num quartel”,
conta. De lá, viajou para a Alemanha, onde fez um estágio
em futebol. Durante um jogo da seleção local contra
o Brasil, encontrou o preparador físico Admildo Chirol,
que foi seu professor na faculdade. Mais tarde, Chirol
o convidou para ser observador da seleção na Copa de
70.
Em
1976, começou sua excursão a pelo mundo árabe. Até se
tornar ídolo no Kuwait, Parreira e a família – a mulher,
Leila, e as filhas Vanessa, 26, e Danielle, 22 – sofreram
para se adaptar às diferenças culturais. Além da língua,
que o técnico não entende até hoje, eles tiveram problemas
também com as tradições. “Os jantares oferecidos ao
Carlos Alberto eram no deserto. A comida, horrorosa,
era colocada em jornais e não havia pratos nem talheres”,
conta Leila. Mas foi no Kuwait que ele viveu um dos
momentos inesquecíveis de sua carreira.
Em
1980, o time derrotou o Iraque na decisão da vaga para
as Olimpíadas de Moscou. Hostilizados pela torcida adversária,
Parreira e os jogadores kuwaitianos levaram cinco horas
para sair do estádio. “Os iraquianos quiseram matar
o juiz.” Parreira fez fama e ganhou ouro no Oriente
Médio. Além de dirigir o Kuwait, cuja seleção levou
pela primeira vez à Copa do Mundo, em 1982, foi técnico
dos Emirados Árabes na Copa de 90 e da Arábia Saudita
na de 1998 – ele foi demitido no meio da competição.
Em
dezembro de 1998, o técnico foi trabalhar no Fluminense,
rebaixado para a Terceira Divisão do Campeonato Brasileiro.
“Quando cheguei, o clube estava esfacelado”, diz o treinador,
que informatizou os serviços e reformou os vestiários
com a ajuda da badalada decoradora Julinha Serrado,
mãe do ator Marcelo Serrado. O Fluminense venceu o campeonato
e o time subiu para a Segunda Divisão. Mas, após quatro
derrotas no torneio Rio-São Paulo, foi demitido. “Foi
difícil digerir o que aconteceu. Muita gente clube se
sentiu incomodada comigo lá”, desabafa. “Mas a gente
não espera gratidão em futebol.”.
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AE
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Itamar
Miranda/AE
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Lídio
Toledo, Admildo Chirol, Carlos Alberto Parreira,
Cláudio Coutinho e Zagalo: a comissão
técnica da equipe que ganhou o tricampeoanto
do México, em 1970
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No
Fluminense, o treinador ganhou o título brasileiro
da Terceira Divisão, mas no Torneio Rio-São Paulo
foi demitido depois de sofrer quatro derrotas
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