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Polícia
Reação
em cadeia
O juiz Nagashi Furukawa cria condições para melhorar
a qualidade de vida dos detentos sem esvaziar os cofres
públicos e exporta receita a outros Estados
Cesar
Guerrero
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Silvana Garzaro
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Nagashi
Furukawa entre os presos da cadeia pública de
Bragança Paulista, onde os banheiros são limpos
e quem quer ganha treinamento profissionalizante
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Em 1993 a Prefeitura de Bragança Paulista, no interior
de São Paulo, convocou uma reunião para tratar dos problemas
da Cadeia Pública, minada por rebeliões e fugas. O juiz
corregedor Nagashi Furukawa, 51 anos, defendeu a criação
de uma entidade civil para administrar a cadeia. As
verbas do governo do Estado passaram a ser gerenciadas
pela Associação de Proteção e Assistência Carcerária.
Resultado: no primeiro mês, houve redução de 50% nos
custos de alimentação.
As
rebeliões desapareceram e as fugas não ocorreram mais.
O segredo? “Com a economia, melhoramos as condições
gerais do presídio e construímos uma cozinha onde os
próprios presos trabalham”, afirma Nagashi. Por conta
da inovação, Nagashi virou mestre no tema. Foi notícia
em jornais norte-americanos, como Los Angeles Times
e Miami Herald. Recebeu prêmios como o de Direitos Humanos
da Ordem dos Advogados do Brasil e elogios expressos
da Anistia Internacional. E está prestes a ver sua receita
implantada em Estados como Pernambuco, Ceará, Goiás
e Rio Grande do Sul.
Em
setembro, o ministro da Justiça, José Carlos Dias, o
convidou, pessoalmente, para ocupar a diretoria do Departamento
Penitenciário Nacional. Durou três meses. Nagashi preferiu
assumir a Secretaria de Administração Penitenciária
do Estado de São Paulo, responsável por todos os presídios
do Estado – inclusive o calcanhar-de-aquiles de todos
os governadores paulistas, o complexo do Carandiru,
com mais de 7,5 mil presos. “Em São Paulo eu posso exercer
um trabalho mais direto”, diz Nagashi.
A
cadeia pública de Bragança Paulista abriga 220 presos.
Desde que o programa entrou em execução, há seis anos,
ninguém tentou pular os muros de dois metros de altura
que cercam o presídio. O segredo está no fato de que,
além da boa alimentação, os presos dormem em camas de
alvenaria com grossos colchões de espuma. Os banheiros,
limpos, têm pias instaladas em bancadas de granito com
espelhos individuais. Mas o projeto não se limitou à
higiene e melhores condições de vida atrás das grades.
Houve preocupação em acabar com o ócio dos detentos.
Assim,
as empresas da região instalaram oficinas de trabalho
como barbearia, padaria e marcenaria. Do total, 176
deles têm hoje alguma atividade profissional. Na nova
empreitada, Nagashi Furukawa arregaça as mangas para
provar que é possível reduzir os gastos do governo com
o cárcere e ainda oferecer melhores condições de vida
para os detentos, num Estado em que as estimativas mostram
que há hoje um detento para cada 400 habitantes – no
total, são 86.233 detentos amontoados em penitenciárias
e delegacias.
Para
o secretário, a redução dos custos é possível, porque
três em cada dez presos são considerados perigosos.
“O restante pode cumprir pena em prisões de segurança
mínima, que custam muito menos aos cofres públicos”,
completa Nagashi. “Mas é preciso manter o privilégio
apenas para indivíduos de baixa periculosidade”, alerta
Luiz Antônio Fleury Filho, ex-governador de São Paulo.
O atual deputado federal pelo PTB fala de camarote.
O massacre de 111 presos no Carandiru há oito anos ocorreu
em seu governo.
Nagashi
nasceu em Presidente Bernardes, no oeste do Estado,
a 500 quilômetros da capital paulista. Filho de agricultores
que deixaram o Japão em 1909, ajudava no cultivo de
tomates e batatas. Casado há 21 anos com Marli Villaça,
44, Nagashi tem três filhos. A família continua morando
em Bragança, cidade onde ele exerceu a profissão de
juiz nos últimos 16 anos. Durante a semana, ele divide
um pequeno apartamento com o filho Hélio, 21 anos, que
cursa o quarto ano da Faculdade de Direito do Largo
São Francisco. “Nós moramos numa verdadeira república”,
diz o secretário. Todas as sextas-feiras, Nagashi pega
a rodovia Fernão Dias, que liga São Paulo a Bragança,
e passa o final de semana com a mulher e com os filhos,
Artur, 19 anos, e Juliana, 14.
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