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Cinema
Bruno
lança seu olhar sobre o Rio
Em Bossa Nova, seu mais novo filme, Bruno Barreto declara
seu amor à cidade que trocou por Hollywood
Lilian
Amarante
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Leandro Pimentel
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Bruno
no hotel Copacabana Palace, seu endereço quando
está no Rio: saudade da feijoada
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Se tivesse desembarcado no Brasil num sábado – e não
na segunda-feira 27, como de fato aconteceu – Bruno
Barreto teria matado a fome e a saudade que sente da
terra natal antes mesmo da maratona de lançamento de
seu mais recente filme, Bossa Nova. O primeiro programa
na “terra brasilis” teria sido, na certa, almoçar uma
quentíssima feijoada no hotel Copacabana Palace, no
Rio de Janeiro. “É a primeira coisa que eu penso em
fazer sempre que chego ao Brasil”, explicou Bruno, à
beira da piscina do hotel mais famoso do País, seu endereço
quando está aqui.
Até
que o calendário possibilite a tão esperada feijoada,
Bruno, 45 anos, se dá por satisfeito saboreando as primeiras
impressões que o público brasileiro tem de Bossa Nova.
É uma comédia romântica filmada ano passado no Brasil,
com estréia prevista para sexta-feira 31 e distribuição
garantida para o mundo todo pela Columbia TriStar, a
partir de 28 de abril. Na badalada pré-estréia carioca,
segunda-feira 27, até Fernanda Montenegro apareceu para
prestigiar o cineasta (leia quadro abaixo) e acompanhar
na tela a tradução cinematográfica do que ele sente
em relação ao Brasil. “Esse filme é o resultado da saudade
que eu sinto do Rio”, diz Bruno. “É uma carta de amor
para o Rio de Janeiro e para o carioca.”
A
carta e a saudade fazem sentido. Garoto-prodígio que
aos 21 anos dirigiu Dona Flor e Seus Dois Maridos –
12 milhões de espectadores, a maior bilheteria nacional
de todos os tempos –, Bruno Barreto é hoje um dos mais
bem-sucedidos cineastas brasileiros, mas está há dez
anos fora do País. “No Brasil, não conseguiria fazer
mais de um filme a cada três anos, enquanto nos Estados
Unidos é possível fazer um filme por ano. Preciso disso
para viver”, explica. Nos Estados Unidos, Bruno já rodou
quatro filmes e mantém uma parceria duradoura com a
atriz americana Amy Irving. Eles são casados desde 1990,
quando se conheceram no set de filmagem de Uma Demonstração
de Força, dirigido por Bruno. Desde então, dividem a
vida pessoal e parte do trabalho. Amy, ex-mulher do
diretor Steven Spielberg, já estrelou três filmes do
marido.
“A gente se dá melhor quando está trabalhando porque
ela é a atriz, eu sou o diretor e ela só faz o que eu
mando”, brinca Bruno. Para Amy, fazer o papel da senhorita
Simpson no filme Bossa Nova é a oportunidade de sentir
na pele o que o marido brasileiro experimentou na chegada
aos Estados Unidos. No filme, a personagem é uma americana,
professora de inglês, às voltas com alunos e amores
brasileiros. “A senhorita Simpson no Rio sou eu morando
nos Estados Unidos”, diz Bruno. “O filme tem muito da
minha experiência pessoal.” Um bom exemplo foi vivido
no filme pela personagem de Drica Moraes, Nadine, uma
jovem que experimenta pela primeira vez um namoro virtual
com um estrangeiro. Nos e-mails que recebe, a palavra
love aparece de um jeito, mas ela entende de outro.
“A Drica, achando que a palavra love no fim da carta
(apenas uma saudação) quer dizer I love you, retrata
o que vivi nos Estados Unidos”, diz Bruno Barreto.
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