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Raul
Gil
“A
Globo tem medo de mim”
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Julio Vilela
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“Silvio
Santos andava comigo no meu Fusca 1961. Perdi
contato, virou proprietário. Fiquei desempregado,
fui falar com ele e ele não me recebeu”
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Quanto
recebe?
R$ 200 mil e ainda pago oito funcionários.
A Record contratou a Luar, a nossa empresa, que fornece
a ela um animador chamado Raul Gil. Mas o Programa Raul
Gil é dela.
Tem
porcentual de merchandising?
Não ganho nada de merchandising.
Pretende
renegociar isso?
Vou tentar. Mas não tenho direito porque assinei
um contrato que vai até 2002, e tenho de cumprir.
Pago FGTS de 12 empregados da Luar, INSS, ISS, férias,
13.º salário. Tudo sai desses R$ 200 mil.
A Record tem despesas como as pegadinhas, que custam
de R$ 30 mil a R$ 40 mil por programa.
É
verdade que você brigou com o Ratinho?
O Ratinho pegou o quadro do chapéu e mudou
para Nota Dez. Mas como é um cara
muito sincero, falou no ar que estava imitando o Raul
Gil. Uma vez almoçou comigo, fez uma porção
de promessas e não cumpriu nenhuma. Aí
fiquei muito chateado. Se falo para alguém que
não vou fazer tal coisa, no dia seguinte não
vou fazer.
Que
promessas eram?
Tirar do ar o Nota Dez. Havia outras,
confidenciais. Não fez nada do que me prometeu.
Ele é talentoso, mas não agiu bem com
esse menino que está hoje comigo, o Rafaelzinho
(Rafael Vidal, portador da Síndrome de Laron,
que o impede de crescer). Prometeu que daria R$ 6 mil
a ele e o rapaz ficou seis meses implorando, chorando,
para ter o dinheiro. Conseguiu e foi humilhado quando
Ratinho exibiu o cheque no ar. Dei muito mais para o
Rafael e as pessoas nem sabem.
Você
é contra alardear esse tipo de ajuda?
Essas coisas Deus sabe. Por que faço esse
sucesso? É Deus. Eu faço as coisas e não
fico mostrando. O programa do Ratinho caiu muito. Será
que Deus está vendo? Quantos programas iguais
ao dele ficaram dois anos no ar e saíram? O Povo
na TV, Aqui e Agora. Todos beijavam o pé da Márcia
Goldschmidt, do SBT (cujo programa mostrava brigas domésticas),
e no dia seguinte foi mandada embora. É Deus.
Você
e o Silvio Santos começaram juntos. Qual sua
relação com ele hoje?
O Silvio andava comigo no meu Fusca 1961. Hoje perdi
o contato com ele, é difícil, ele virou
proprietário. Se afastou. Já falei várias
vezes: se tivesse que dar o troféu para o homem
de televisão do século, daria para ele.
Nesses
36 anos de profissão, acumulou bens?
Acho que aquilo que você ganha é o que
merece. Sou feliz, já passei por situações
difíceis e superei. Em 1988, 1989, 1991, passei
mal. Ninguém me queria, e hoje aqueles que não
me queriam me desejam no canal deles.
Bateu
na porta de algum amigo que não te atendeu?
Bati na porta do Johnny Saad da Bandeirantes, em
vão. Fui falar com o Silvio Santos, ele não
me recebeu.
Guarda
mágoa disso?
Não, não guardo. Tirei o chapéu
para o Silvio num jornal, disse que ele era um gênio.
Mas lembrei que tinha pedido emprego para ele durante
muito tempo e não tinha sido sequer recebido.
Então ele mandou um cartão: Li sua
entrevista, muito obrigado, também tiro o chapéu
para você. E, abaixo: Nunca soube
que você me procurou nesses dez anos. Mas
ele sabe que eu o procurei. E muito.
Se
sente injustiçado?
Faço parte da história da televisão
brasileira e bem que poderia entrar nesses 50 anos da
televisão que a Globo está fazendo. Fui
o primeiro calouro da tevê, na antiga Tupi. Lembraram
de muita gente e se esqueceram de mim. O Gugu, por exemplo,
fui eu quem lançou para todo o Brasil, quando
o tornei jurado. Ele entrou nos 50 anos, eu não.
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