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Cerco ao general

Paula Alzugaray

Reprodução de Tevê
Newton Cruz: lição de arrogância no Roda Viva

A revelação bombástica do general Newton Cruz, ex-chefe do Serviço Nacional de Informação (SNI) do governo militar, de que Paulo Maluf o teria convidado a dar um golpe no governo Tancredo Neves foi o ponto alto do Roda Viva de segunda-feira 27, na Rede Cultura.

Mas a entrevista de 90 minutos valeu tanto por revelações deste naipe quanto por reavivar embates verbais entre jornalistas e militares. A entrevista de Newton Cruz foi o retorno a um clima que uma geração de brasileiros nunca testemunhou, graças à democracia. “Ele não é uma pessoa acostumada a dar entrevistas e isso dificultou um pouco as coisas”, disse a Gente o jornalista Paulo Markun.

Nos dois primeiros blocos do programa, Newton Cruz encontrou uma forma de esquivar-se das perguntas ao queixar-se das freqüentes “interrupções” dos jornalistas e até mesmo de perseguições. Foi quando o general foi lembrado por Markun – que foi preso e torturado em 1975 -- de que a cadeira giratória do Roda Viva presta-se exatamente a este fim e que em nada lembra a “cadeira do dragão”, um dos ícones de tortura no submundo do regime militar.

O batimento cardíaco do general disparou após ser gentilmente convidado por Markun a aceitar as regras do Roda Viva. “Estou respondendo à minha moda. Não lhe dou o direito de dizer que estou fugindo”, respondeu, ameaçador. Novamente lembrado de que, em uma democracia, ele não estava em posição de “dar direito” a nada nem a ninguém, o general acabou entrando no debate.

Depois de referir-se à democracia como “conversa de comadre”, com o dedo sempre em riste, acabou fazendo significativas revelações. Além de colocar Paulo Maluf em maus lençóis, deixou claro que vai continuar ocultando os detalhes sobre os telefonemas que recebeu uma hora antes do atentado à bomba ao Riocentro, em 1981.

O general chegou ao extremo de dizer que prefere morrer a responder à Justiça quem são os autores do telefonema e do atentado. No dia 12 de abril, o general Newton Cruz será interrogado sobre o caso no Superior Tribunal Militar. E o Roda Viva de segunda 27 ficará como o último suspiro de uma arrogância que se foi com a ditadura.

Copyright 1996/2000 Editora Três

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