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Bossa
nova
Amazonas
João Donato
Trio lança disco e faz turnê no Brasil e no mundo
Regina Porto
Com a discrição de sempre, só comparável à bossa nova
que ajudou a criar, João Donato chega ao 13.o disco
de sua carreira, uma das mais produtivas e influentes
da música brasileira. Amazonas, com ele ao piano, Claudio
Slon na bateria e Jorge Helder no baixo, reúne 18 faixas,
quatro delas inéditas (“Alegria pra Cantar”, “Like Nanai”,
“Tardes de Verão” e “Os Caminhos”) e duas em parceria
com João Gilberto (“Glass Beads” e “Coisas Distantes”).
Década
após década como referência básica para músicos brasileiros,
de Tom Jobim a Djavan, Donato é daqueles casos em que
a obra ganhou mais fama que a autoria. Muito de sua
música originalmente instrumental ficou popular por
meio de letristas, que transformaram vários temas seus
em canções conhecidas na voz de Gal, Nana, Emílio Santiago
e tantos outros. “A Rã” e “Surpresa” (Caetano Veloso),
“Doralinda” (Cazuza), “A Paz” (Gilberto Gil), “Brisa
do Mar” e “Simples Carinho” (Abel Silva) são só um ou
outro exemplo.
É
música que cai bem em qualquer voz, sem discriminação
de estilo ou geração. E o mais surpreendente: não envelhece.
Em Amazonas, tocando em trio e falando a mesma língua
sutil meio-jazz-meio-Copacabana com seus pares (Slon
comparece no antológico Sinatra & Co., com Tom Jobim,
e Helder está em quase todos os discos de Rosa Passos),
João Donato exercita o que mais gosta: a idéia musical
pura. E nisso ele é mestre, tanto como compositor quanto
como pianista.
Sem
ultrapassar a região média do instrumento, e com uma
independência de mãos que chega a criar a ilusão de
dois pianos, Donato provoca vertigens de tanto ritmo
e suingue (destaque para a versão cubana da faixa-título).
Amazonas é lançado em concerto com a Jazz Sinfônica
no Memorial da América Latina, em São Paulo (dia 7),
faz três noites no Mistura Fina, no Rio (de 13 a 15),
e segue em turnê pelos Estados Unidos, Europa, Ásia
e Oceania. Com isso, a gravadora norte-americana Elephant
Records sela o primeiro disco de João Donato de distribuição
mundial em larga escala.
Aos
65 anos de idade e 50 de carreira, Donato, que nasceu
no Acre, foi criado no Rio e passou bons anos nos Estados
Unidos, sai em merecido vôo-solo. O disco coincide com
o lançamento paralelo de seu songbook, organizado por
Almir Chediak e lançado pela gravadora Lumiar, com 42
temas interpretados por um megatime que vai de Chico
Buarque e Leila Pinheiro a Adriana Calcanhoto e Arnaldo
Antunes. É que muita gente boa da MPB deve algo a João
Donato. Chegou a hora da nação ensolarada agradecer.
Mestre do ritmo e do suingue
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