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Romance
Subsolo
Infinito
Livro de Nelson de Oliveira é inquietante
e diabólico
Antonio
Querino
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Divulgação
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| Nelson:
boa literatura fantástica |
Desconcertante
é uma definição para a dantesca
experiência que o paulista Nelson de Oliveira
realiza no romance Subsolo Infinito (Companhia das Letras,
216 págs., R$ 23), uma abissal e fausta descida
ao inferno, descrita com todas as letras. Mas o inferno
aqui não é apenas um sentido figurado,
pois o que o escritor põe para funcionar é
justamente a jornada de um homem que crê ter feito
um pacto com Lúcifer, com referências a
descidas clássicas como a de Orfeu e outros mitos
gregos.
Tudo começa quando o narrador um intelectual
respeitado, em plena crise de amnésia
encontra-se sem mais nem menos metido numa vida
que não é a sua e sem lembrar sua verdadeira
identidade.
Após
um incêndio em seu apartamento, passa a viver
como indigente sob um viaduto e conhece um bissexual
da Praça da Sé, por quem se apaixona.
Ao seu lado, o narrador é conduzido a encontrar
respostas nas profundezas dos infernos, descendo até
ele por um prosaico túnel de metrô.
E por aí vai a trip mental de Nelson, construída
com frases bem compostas e muita erudição
no manejo de questões transcendentais trazidas
para as sarjetas urbanas. Falando de mendigos, videntes
e alucinações, a escrita de Nelson não
deixa a peteca cair e não aborrece o leitor,
apesar da fantasia mística bem complexa. Fábulas
e parábolas sobre constelações
e anjos recheiam seu relato, cuja simbólica obsessão
pelo fogo salta aos olhos do leitor.
Numa
obra centrada sobre esse elemento, o autor cita a idéia
dos sábios ancestrais que acreditavam que com
o fogo a matéria torna-se alma. Mas Nelson
lida com esses temas com certo distanciamento, fazendo
o narrador ironizar o tempo todo seu próprio
destino e expondo o artificialismo de toda essa história
louca.
Uma
temporada no inferno
Leia
a entrevista com Nelson Oliveira
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