|
Ping-Pong
Nelson
de Oliveira
Antonio
Querino
Com
33 anos, quatro livros publicados e alguns prêmios
no currículo, o paulista Nelson
de Oliveira rouba a alma da poesia para dar sabor aos
seus romances.
Por
que literatura fantástica?
Gosto mais dos livros que se desprendem da realidade.
Alguns críticos têm apontado Kafka e Cortázar
como influências no meu trabalho. Acho que meu
interesse pelo fantástico se deve mais aos romances
juvenis de Monteiro Lobato, que devorei quando jovem.
Como
explica a obsessão pelo fogo, expressa em seu
livro?
O romance conta uma descida aos infernos, por isso
o fogo não podia faltar. O universo inteiro é
fruto do fogo, da explosão primordial
que chamamos de Big Bang.
Pacto
com o diabo ainda é assunto para 2000?
Será assunto para os próximos 10 mil
anos. O interesse pelo sobrenatural está arraigado
em nós, se confunde com a essência do ser
humano. Por mais irreal que pareça a figura de
Belzebu, e, por que não dizer, de Deus, me parece
que jamais poderíamos sobreviver sem essa parcela
da irrealidade.
Você
se aventura também no campo da poesia?
Tenho muitos poemas na gaveta. Gosto de trabalhá-los
e talvez venha
a publicar uma pequena mostra deles, quando sentir que
estão maduros.
O
que a sua narrativa roubou da poesia?
A alma. Não há nada mais sublime, na
literatura, do que a alma da poesia. Até mesmo
um romance, por mais prosaico que seja, precisa trazer
em si essa alma roubada.
|