Celebridade  
Alexandre de Oliveira/ Marcelo Lopez

Em 1986, Vera Holtz deu adeus aos cabelos longos e tingiu-os de loiro para integrar o elenco da peça Electra Concreta. Dirigido por Gerald Thomas, o espetáculo trouxe ensinamentos que influenciam até hoje a construção de todos os personagens interpretados pela atriz, que está no ar em Belíssima

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Vera Holtz

por Diógenes Campanha

Leandro Pimentel
Para quem se acostumou a ver Vera Holtz com longas madeixas, os cabelos curtos e louros exibidos na foto ao lado são surpreendentes. A atriz adotou esse visual para a peça Electra Concreta, de 1986. “Nunca tinha cortado o cabelo, mas radicalizei para esse trabalho: cortei e pintei”, diz. A mudança era parte da entrega necessária para a produção dirigida por Gerald Thomas, que uniu a equipe em um clima de cumplicidade. “Éramos uma confraria, uma ‘sociedadezinha’ fechada fazendo uma coisa especial. O palco era um templo sagrado de criação”, define. Embora já fizesse teatro desde 1979, Vera costumava se dedicar mais ao trabalho dos bastidores. A situação só mudou, segundo ela, quando ingressou no curso ministrado por Thomas, cujo resultado final foi Electra Concreta. “Foi o Gerald que me olhou como atriz. Antes disso, fiz tudo o que se pode imaginar no backstage, do figurino à administração”, conta. Na preparação para a peça, ela aprendeu que o ator deve dividir com o autor a criação dos tipos que interpreta. “Hoje, todos os meus personagens têm a chancela Vera Holtz”, diz, incluindo na lista a espevitada Ornela, de Belíssima. Na novela, a atriz namora o garoto de programa interpretado por Cauã Reymond, o que gera situações engraçadas fora da tela. Vera conta que, um dia, foi almoçar com o colega em um restaurante sofisticado e as pessoas faziam sinal de positivo para ela. “Todo mundo fazia aquela cara de ‘será que ela está mesmo pegando esse bofe maravilhoso?’”, diverte-se, satisfeita com a repercussão de mais um trabalho bem feito.