Reportagens  

Clique para ver as fotos

 
“Bento chegou para mudar as brincadeiras e trazer uma nova coreografia para casa ’’, conta
Orlando Morais, marido de Glória, sobre o filho caçula
A terapia da atriz

Glória Pires submeteu-se a sessões de Chakroterapia durante o período em que morou em Goiânia. Chakras são centros de energia que tomam conta do estado físico, intelectual, emocional e espiritual de cada pessoa. São sete os mais importantes – e estão localizados ao longo da coluna vertebral. Deitada em uma maca, Glória foi submetida à meditação induzida, que possibilitou-a visualizar situações propostas pelo terapeuta. A partir daí, um pequeno pêndulo colocado próximo a cada chakra da atriz mediu o grau de energia de cada um deles. Em seguida, pedras e cristais específicos foram usados para alinhá-los, um após o outro, promovendo o bom funcionamento da energia corporal, mental e espiritual.

• • •
Capa
Heroína na tela e em casa

Protagonista de Belíssima, Glória Pires é aplaudida por 3 milhões de espectadores na comédia Se eu fosse você, concilia a carreira com os quatro filhos e o marido, Orlando Morais, conta como superou dois abortos e diz que chorou quatro dias quando a filha Cleo foi morar sozinha
texto: Mariana Kalil
fotos: Leandro Pimentel
 Envie esta matéria para um amigo
Ela está casada há 19 anos com o músico Orlando Morais,
com quem tem três filhos – Antônia, 13 anos, Ana, 6, e Bento, 1 ano e seis meses. É também mãe de Cleo Pires, de 23 anos, do casamento com o cantor Fábio Júnior
Um dia intenso de gravação da novela Belíssima nos estúdios do Projac, na Rede Globo, no Rio, não tira o fôlego de Glória Pires nem na hora em que abre a porta de casa e encontra quase tudo fora do lugar. “Há dias em que parece que passou um vendaval em casa”, diz ela. “Tem sapato na sala, copo no banheiro, caderno dentro do armário, roupas que sumiram, maquiagem revirada.” Pouco importa para a super-mãe de 42 anos de idade – 37 deles dedicados à arte de dar forma e alma a 32 personagens de novelas, filmes e minisséries. A prioridade é beijar, abraçar, saber tudo sobre a rotina de sua numerosa família e, se sobrar tempo, abrir um livro antes de dormir. “Hoje tenho mais maturidade para lidar com isso”, minimiza. Com simplicidade e quilometragem para criar filhos de quatro diferentes faixas etárias, a atriz transfere para segundo plano a complexa realidade de administrar uma casa cheia. “Hoje consigo fazer vista grossa para essas coisas e realmente ir no foco da minha atenção, que é o Orlando e as crianças. Posso privilegiar meus filhos sem medo. O resto a gente dá um jeito. Poder estar com eles é o que realmente me traz tranqüilidade e segurança”, resume.

Glória vive cenas de um novo capítulo. Após uma estratégica retirada de cena de três anos para viver apenas da luz, da paz e da terra da fazenda em Goiânia - ao lado do marido, o músico Orlando Morais, 44 –, ela experimenta o tão desejado equilíbrio para administrar sem percalços profissão e família. Em Goiânia, a mãe da atriz Cleo Pires, de 23 anos, de Antônia, 13, de Ana, 6, e de Bento, de 1 ano e meio, redescobriu-se, reavaliou valores, reinventou-se. “Tive a sensação de que o tempo parou”, explica. “E isso não trouxe angústia, pelo contrário. Foi regenerador. Foi importantíssimo para eu poder estar aqui hoje, com jogo de cintura para lidar com a família e com o trabalho. Eu me curei em Goiânia.” Cura neste caso significa o aprendizado adquirido para dirigir sua vida sem angústias. “A questão do tempo sempre foi uma coisa complicada para mim. Essa utilização do tempo, que é tão curto, tão esprimido”, diz. O entendimento de que compromissos aparentemente irremediáveis existem tanto na profissão quanto na vida pessoal lhe deram serenidade para saber priorizá-los sem remorso.

Uma dessas prioridades é o caçula Bento, que veio concluir um desejo acalentado desde o nascimento da primogênita Cleo: ter quatro filhos. “Por que quatro?”, provoca ela, com aquele largo sorriso que dispensa apresentações. “Porque sempre achei quatro um número bonito”, responde. Bento nasceu em um momento de paz na vida de Glória Pires. A gravidez não teve nada de planejada. Nenhuma das quatro, aliás, foi assim. “Nossos filhos não são planejados, mas desejados. São eles que escolhem a hora de chegar.” É uma crença que, de certa forma, serve de alento para os dois abortos espontâneos sofridos antes da gravidez do caçula – um golpe que ainda hoje Glória acusa com o olhar mareado. “Ficamos com muito receio, frustrados, com medo”, confessa. “Mesmo que aquele ser dentro de você ainda não tenha forma, você cria uma série de expectativas. Imagina o rosto, o quarto, a roupinha. Então, a hora da perda é terrível, um negócio complicadíssimo.” A chegada do filho veio sucedida de uma visita ao Mosteiro de São Bento, localizado no alto de uma colina em Brasília. Ainda abalada pela dupla perda, Glória dedicou alguns minutos para uma conversa particular com São Bento. “Mas não pedi nada”, apressa-se em explicar. “Aliás, nunca fui de pedir nada em oração. Acredito que o que tem que acontecer, acontece. Naquela conversa, apenas me coloquei à disposição Dele para que, se estivesse na nossa história ter mais um filho – e se ele fosse homem –, se chamaria Bento.” Passados cinco meses, durante uma ultra-sonografia de rotina para avaliar o estado do bebê, recebeu do médico a notícia. “É menino homem, viu?”, revelou ele. “Hein?!”, retrucou, Glória, incrédula. “É o quê? É menino?”, ela insistiu. Orlando recorda cada detalhe da cena. “Foi uma loucura, realmente”, admite.
“Um misto de contentamento, de agradecimento por merecer ter mais um filho e também por saber que era homem. É bacana porque, após três meninas, Bento chegou para mudar as brincadeiras e trazer uma nova coreografia para nossa casa. Ele movimenta o ambiente. Veio para arrebentar.”