Caçula de seis filhos de Isaac Casoy, dono
da tradicional padaria Casoy, na rua José Paulino,
em São Paulo, e da dona de casa Raissa Casoy,
o paulista Boris Casoy ganhou alguns trocados na adolescência
como jogador de pebolim. De ascendência russa,
nunca casou ou teve filhos e fez do jornalismo o norte
de sua vida. Na Folha de S. Paulo, SBT e Record,
onde trabalhou, era ouvido e recebido por presidentes
da República e ministros. Nos últimos
8 anos e meio foi âncora do Jornal da Record
e entoou o bordão “isso é uma vergonha”
até 30 de dezembro, ao ser demitido. Após
um silêncio de três meses, recuperando-se
do “coice”, Boris conta as pressões
políticas e as da Record que culminaram na demissão.
Ainda cobra na Justiça
o que a Record lhe deve?
Sim! Eles querem ser uma grande emissora. Veja o Silvio
Santos, a Globo... eles mandam alguém embora
e depositam. A Record criou uma negociação
que parecia uma feira de Acari: fica um tostão
pra cá, um pra lá. Eu tinha 11 meses de
contrato. E por contrato eles me devem o total dele:
48 meses. Eles dizem ser ilegal, mas assinaram! É
grave a dificuldade que criam para me pagar!
Foi demitido porque seu
jornal era engessado e não
dava audiência?
Não tinha compromisso de Ibope. Era o jornal
que eu me propus a fazer e nós combinamos. Mas
fiquei sendo mudado de horário diariamente –
todo dia não é maneira de falar. Eles
tinham direito de me mandar embora, o que não
podiam era querer que eu fizesse um Jornal Nacional.
Eu não sei fazer o Jornal Nacional e
a Globo faz Jornal Nacional melhor que qualquer
um. Não quero fazer um clone! Não sei
se topasse fazer um Jornal Nacional estaria
na Record. Eles sabiam que eu não faria um clone,
mas propuseram.
Quando?
Oito meses antes (da demissão). Quando
houve insistência nisso (para fazer um Jornal
Nacional), eu disse: “Não vou fazer,
não tem jeito. Vamos fazer um acordo e vou embora”.
O bispo Honorilton Gonçalves se declarou gravemente
ofendido... que era uma ameaça minha. Ficou ressentido.
Me pegou como grande ofensor.
Saiu por não fazer
um Jornal Nacional ou por pressões políticas?
Não sei. Formalmente é isso (não
querer fazer um JN). O resto (as pressões)
passa pela cabeça. Não sou bobo, mas não
posso afirmar. Houve uma tentativa de me amordaçar.
Mas vai acabar.
Como vê a liberdade
de imprensa no governo Lula?
Esse governo pressionou a Record (para demiti-lo).
Foram várias pressões e a final foi do
Zé Dirceu. Eram três assuntos que eles
(governo) não queriam nem que se tocasse.
Caso Banestado (remessa ilegal de dinheiro para
aplicações no Exterior por meio do banco),
o compadre do Lula, Roberto Teixeira (advogado da
Transbrasil, acusado de operar esquema de arrecadação
de dinheiro junto a prefeituras do PT) e o assassinato
do (ex- prefeito de Santo André) Celso
Daniel. Eu insistia que acabariam em pizza.
Houve ameaça direta
a você?
Não. Houve o telefonema do Zé Dirceu (para
a Record). A diretoria me pôs a par: “Ele
disse que vai prejudicar a Record e você pessoalmente
se não parar”. Essa foi a última
(ameaça)... vinha uma série.
O Zé Dirceu caiu em 13 de fevereiro, meu aniversário.
Depois que ele caiu, as pressões foram reduzidas.
As ameaças (aconteceram) direto para
o presidente da Record, que era o Dênis Munhoz.
Outro político
acenou com ameaça?
Nós recebemos um relatório do diretor
do escritório de Brasília da Record, que
participou de uma reunião em Brasília
– as emissoras acertavam questões de publicidade
com o governo. Dizia: “Olha, com o Boris Casoy
não dá para ter publicidade”. Me
contaram ainda que o (Luiz) Gushiken (ex-secretário
de Comunicação) tinha insinuado para
o presidente da Record: “Com o Boris lá
fica difícil o relacionamento com vocês”.
Houve telefones de gente da bancada evangélica:
“Olha, o Zé Dirceu reclamou. Isso atrapalha
a gente”.
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