Saúde  
Atenção para arritmia cardíaca
Batimentos acelerados do coração podem ser sintoma de fibrilação atrial, a quinta maior causa de internação pelo SUS
Eduardo Saad*
Neco Varella
Saad: Uma em cada quatro pessoas terá arritmia ao longo da vida
A arritmia cardíaca mais comum, tanto em pessoas com coração normal ou com outras doenças do coração, é a fibrilação atrial. Cerca de 2,5 milhões de americanos apresentam o problema, responsável por um terço das hospitalizações por distúrbios do ritmo cardíaco. Esta arritmia pode ocorrer de maneira silenciosa, ou seja, sem causar qualquer sintoma e ser descoberta durante um eletrocardiograma de rotina. Em outros pacientes, a fibrilação atrial pode estar associada à sensação de coração disparado (palpitações), falta de ar, dor no peito, tonturas e desmaios.

A fibrilação atrial é a 5ª maior causa de internação no SUS (Sistema Único de Saúde). Estudos recentes mostram que, em pessoas saudáveis acima dos 40 anos, uma a cada quatro irá desenvolver a arritmia ao longo da vida, o que representa um grande risco para o paciente, pois pode causar embolia cerebral (má irrigação das artérias do cérebro) e levar a seqüelas importantes e até mesmo à morte. A mortalidade de pacientes com o problema é aproximadamente duas vezes maior que a da população normal. Um dos fatores mais importantes no tratamento dessa arritmia é a prevenção do derrame cerebral (conhecido como AVC). Um de cada seis AVCs ocorre em pacientes que possuem fibrilação atrial e, a cada ano, em média 7% destes correm o risco de sofrer um AVC. Isso representa um aumento de até sete vezes em relação ao risco para a população em geral.

Tradicionalmente, a doença é tratada com remédios para combater os sintomas e prevenir a formação de coágulos no coração, causadores de AVCs, além de choque elétrico para reverter a arritmia. Porém, estas formas de tratamento muitas vezes não são capazes de controlar os sintomas e impedir a recorrência. Uma nova opção de tratamento é o método chamado ablação por cateter com radiofreqüência que age diretamente no foco do problema, através de uma cauterização da região causadora da doença, ao redor das veias pulmonares. A cauterização pode ser guiada por uma sonda de ultra-som colocada dentro do coração, com grande precisão e segurança, sendo toda realizada através de uma punção de uma veia na virilha. O método permite a cura da arritmia em 85% dos casos, sendo indicado para pessoas que apresentam recorrência da arritmia mesmo com o uso de medicação. As chances de complicações são pequenas, inferiores a 1%.

A recuperação é muito rápida e simples. Seis horas depois da realização do procedimento o paciente é liberado para se movimentar. A alta hospitalar geralmente acontece no dia seguinte e pode-se voltar ao trabalho em dois ou três dias. A prática de exercícios físicos é permitida após uma semana.

A ablação por cateter da fibrilação atrial é hoje o único método capaz de eliminar definitivamente a arritmia e proporcionar alívio dos sintomas e do risco de AVCs, sem a necessidade de medicações anti-arrítmicas ou anticoagulantes. A manutenção do ritmo cardíaco normal proporciona também melhora da qualidade de vida aos pacientes e um retorno rápido e irrestrito às atividades habituais.

* Eduardo Saad é coordenador do Centro de Fibrilação Atrial do Hospital Pró-Cardíaco, membro da Associação Brasileira de Cardiologia, da Associação Brasileira de Arritmias Cardíacas e do Dept. de Estimulação Cardíaca Artificial (Soc. Bras. de Cirurgias Cardíacas).

 
Pílulas
 

» A fibrilação atrial é o tipo mais comum e mais perigoso de arritmia cardíaca – mudança do ritmo do coração – e pode levar à morte

» Já está sendo considerada uma epidemia mundial. No Brasil, 7 milhões e 200 mil pacientes (4% da população) poderão desenvolver FA, todos os anos

» Os sintomas mais comuns da FA são palpitações (aceleração dos batimentos do coração), desmaios, vertigem, fraqueza, falta de ar, dor no peito e sintomas neurológicos como distúrbios da visão e da fala, dificuldades motoras e alterações da sensibilidade

»O tratamento da FA previne o derrame cerebral. Um de cada seis AVCs ocorre em pacientes que possuem fibrilação atrial