Reportagens  
 Envie esta matéria para um amigo
Teatro
De filho para pai

Em cartaz ao lado de Paulo Autran, ator pôs fim a uma relação formal com o pai graças à peça e diz que atuar em tevê é muito chato
texto: Rodrigo Cardoso
foto: claudio gatti
“Eu nunca havia dito ‘eu te amo, pai’, apesar de amá-lo”, conta o ator, de 43 anos
O ator Claudio Fontana é o caçula de três filhos de um engenheiro, descendente de italianos, e uma professora, de espanhóis. Renato, seu pai de 73 anos, o levava para jogos de futebol, à piscina, à praia. Em público ou em casa, porém, existia uma formalidade entre os dois. “Eu o cumprimentava dando a mão”, conta o ator. Ao encenar ao lado de Paulo Autran Adivinhe Quem Vem Para Rezar, que está em cartaz e fala da relação pai-filho, Claudio quebrou esse tabu. “Depois dessa peça, passei a dar beijo no rosto do meu pai”, diz o ator, 43 anos. “No final dela, eu sempre falo: ‘Ao meu pai, Renato’. É uma forma de dizer ‘eu te amo’. Eu nunca havia dito ‘eu te amo, pai’, apesar de amá-lo.”

Renato, o pai, tem uma explicação para a formalidade. “Meu pai (avô do ator) não costumava cumprimentar com beijo e abraço”, diz. “Mas a minha relação com meus filhos sempre foi franca, amigável e afetuosa.” Claudio já fez mais uma dezena de peças em 14 anos de carreira e estranhou no começo dela o fato de os atores se abraçarem e beijaram.

Paulo Autran, com quem divide o palco pela primeira vez, rasga-lhe elogios: “Nos damos muito bem. Claudio é uma pessoa ótima, excelente ator. É um prazer fazer a peça com ele. Como produtor da peça, é corretíssimo, eficiente. Estou encantado com a companhia dele. Pode exagerar nos adjetivos porque é tudo verdade!”.

Na tevê, Claudio estreou em Deus nos Acuda, na Globo, em 1992. Atuou ainda na Record e SBT, mas se incomoda com os rótulos: “Só me chamam para fazer o (papel do) filho ou o pai jovem. Televisão é muito chato. Não tem desafio!”.

Ele, que largou uma bem sucedida carreira de gerente de marketing para se tornar ator, praticou atletismo por 15 anos. Solteiro e morando sozinho, corre uma hora por dia pelas ruas de seu bairro e parques. Na seqüência, vai direto à academia. “Decoro texto correndo”, conta. “O cara onde compro Gatorade, depois das corridas, fala: ‘Pô, você fica falando sozinho quando corre!’. E eu: ‘É de família’.”