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Livro
Trabalhos de Amor Perdidos
Jorge Furtado estréia no gênero com boa idéia desperdiçada ao longo das páginas
 
Jorge Furtado tem traquejo de sobra para contar boas histórias. Já deu provas disso em seus filmes, roteiros para a tevê ou mesmo na literatura, como no conto “Frontal com Fanta”, da coletânea Tarja Preta. Seu romance de estréia, Trabalhos de Amor Perdidos (Objetiva, 246 págs.,
R$ 36,90) inaugura a coleção Devorando Shakespeare, que tem
a proposta de reler clássicos do inglês a partir da visão de
autores brasileiros.

Para Furtado, restou reinventar um título discreto, o homônimo Trabalhos de Amor Perdidos. De posse da idéia, ele fez do protagonista um ator de teatro de Porto Alegre que ganha uma bolsa para estudar o autor de Hamlet em Nova York. Com o intertexto abençoado por Shakespeare, Furtado recorre à narração explicativa que o consagrou e carrega as tintas nas citações para que o leitor, mesmo o menos familiarizado com Shakespeare, não fique sem referências.

A fluência do texto de Furtado é o achado. É possível lê-lo em um tapa, com relativo prazer, mesmo que, ao fechar o livro, tudo se dissipe em minutos. Na ânsia de criar uma identidade autoral, o escritor, aos poucos, desperdiça a boa idéia até chegar a uma conclusão desconexa. A leveza da metade inicial se perde em uma história melancólica, calcada em referências aos atentados de 11 de setembro que só reafirmam o curto fôlego do livro. Shakespeare à brasileira