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Reportagem
No ar, a tataraneta de Rui Barbosa
Estrela-mirim de Belíssima, Marina Ruy Barbosa, de dez anos, superou 100 candidatas para viver Sabina e seduziu Fernanda Montenegro em cena
 

Marina Ruy Barbosa ainda ensaiava os primeiros passos quando pediu à mãe que desmontasse a tevê. Queria encontrar uma passagem secreta para se infiltrar nos cenários habitados por atrizes consagradas como Glória Pires e Fernanda Montenegro. Foi apenas o primeiro indício da vocação que se avizinhava. Quando completou seis anos, convenceu os pais a inscrevê-la em uma agência de modelos. Alegou que manteria a média escolar em 9,5 e, aluna do Santo Agostinho, tradicional escola carioca, não decepcionou. Dois anos depois, estreou na Globo em Começar de Novo.

O desafio para chegar a Belíssima, porém, foi maior. Marina precisou superar 100 candidatas para agarrar o papel de Sabina, filha de Cláudia Abreu e bisneta de Fernanda Montenegro. A veterana atriz se rendeu aos encantos da menina. Ao deixar o elenco da novela, presenteou-a com um conjunto de xícaras de porcelana francesa. “Nunca esqueça de mim”, pediu Fernanda. Para viver Sabina, Marina precisava de uma caracterização mais elaborada. Quando soube que teria que cortar curtinho os longos e cacheados cabelos ruivos, desabou em prantos e comoveu a diretora Denise Saraceni, que resolveu poupar-lhe do sofrimento. Ficou decidido que os fios seriam amarrados em uma charmosa trança capaz de conferir à atriz o mesmo ar moleque de Sabina.

Nos estúdios do Projac, Marina tem a companhia constante da mãe, a artista plástica Gioconda Ruy Barbosa. Filha de pais de classe média alta, ela foge do estereótipo das crianças que viram artistas e se tornam arrimo de família. “Ela sabe que pode deixar a carreira de atriz na hora que quiser”, diz Gioconda. “Quem sustenta a Marina somos nós, seus pais, e não o contrário.” A menina tem seu salário depositado mensalmente em uma caderneta de poupança. Sonha em comprar um imóvel na Barra da Tijuca, próximo ao confortável apartamento onde mora com os pais.

No quarto de casa, decorado com uma coleção de 30 Barbies misturadas a títulos como As Rosas Inglesas, escrito pela cantora Madonna para o público infantil, ela utiliza a folga das gravações para trocar mensagens com os fãs em seu blog. É filha da geração internet. Tataraneta do diplomata, jurista e político Rui Barbosa (a grafia é diferente), faz graça com o sobrenome famoso. “Se a família é toda inteligente? Acho que sim”, sorri. Para os Ruy Barbosa, entretanto, Rui Barbosa é uma figura histórica distante.

Marina assegura que a dramaticidade da personagem não lhe tira o sono. “Quando acaba uma cena triste, não consigo parar de chorar”, confessa. “Mas não fico triste, não. Eu sei que é de mentira. Tony Ramos sempre me diz isso.” Compressas de chá de camomila gelado acalmam a pele sardenta, que fica vermelha e inchada após a sessão de soluços. Marina não sabe explicar a habilidade para se emocionar. Mas talvez não seja equívoco afirmar que faz parte da vocação natural de uma artista que, antes mesmo de deixar as fraldas, já imaginava o caminho que a levaria ao universo fictício da televisão.