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Teatro - Drama
Molly Sweeney - Um Rastro de Luz
Julia Lemmertz conduz com doçura e técnica o ótimo texto de Brian Friel
 
Divulgação
Julia Lemmertz em Molly Sweeney: cega se submete a operação para voltar a enxergar
Molly Sweeney – Um Rastro de Luz é texto. Basicamente texto. Quase não usa recursos de palco: o cenário é simples, o figurino e a iluminação, idem. Os personagens Molly, uma mulher de 40 anos, cega desde os 10 meses, seu marido Frank e seu oftalmologista, Dr. Rice, têm seus espaços bem determinados em cena. Seus gestos e passos nunca extrapolam essas delimitações. Eles dão depoimentos à platéia e nunca interagem uns com
os outros.

Mas não é preciso mais mesmo. O texto do irlandês Brian Friel é tão contundente que basta para envolver a platéia e comovê-la com a história da corajosa cega, que se submete a uma cirurgia para voltar a enxergar. Porém, em seu mundo de toques, cheiros e sensações, Molly era feliz. E entende que a insistência do marido e do médico para que faça a operação está mais ligada à realização pessoal dos dois do que dela própria.

A interpretação de Julia Lemmertz como Molly ajuda a transformar a boa peça em ótimo espetáculo. Ela empresta sua doçura à personagem e usa toda a sua técnica. Orã Figueredo é responsável pelo humor que permeia a narração – Frank é um homem sonhador, sempre se metendo em projetos mirabolantes que terminam em fiascos. E Ednei Giovenazzi completa a trinca vivendo bem o amargurado e alcoólatra Dr. Rice. Vá ver

CCBB – r. Álvares Penteado, 112, São Paulo,
tel. (11) 3113-3651. Até 25/6.