Em março de 1999, Guilherme Fontes passeava satisfeito pelo
set de filmagens armado no Palácio do
Catete, no Rio. Via sair do papel seu projeto
de quatro anos. Em 1995, o ator obteve do Ministério
da Cultura o aval para captar R$ 12 milhões,
com base na lei de incentivo fiscal –
para a produção de Chatô
– O Rei do Brasil, seu primeiro filme
e o mais caro da história do cinema nacional
até então. “Estou realizado”,
repetia, entre a direção de uma
tomada e outra. Foi a última vez que
teve motivos para festejar o projeto. Em 10
de março, o Tribunal de Contas da União
(TCU) multou Fontes em R$ 250 mil e cobra dele
a devolução de R$ 15 milhões
(valor atualizado referente aos R$ 4,6 milhões
captados) por não entregar a série
de 36 documentários 500 Anos de História
do Brasil – um subproduto do projeto
Chatô.
Embora 13 episódios tenham sido exibidos no canal a cabo GNT, a série não foi concluída. O que demonstra, segundo o relator do processo, o ministro Marcos Bemquerer Costa, “dano ao erário e infração às normas legais”. Alberto Daudt, advogado de Fontes, vai entrar com recurso para provar que o dinheiro foi usado nos episódios que foram ao ar. “Guilherme não tem nada o que devolver.”
O ator não quer se pronunciar. Não cede sequer aos argumentos do advogado de que um esclarecimento, baseado em documentos e prestações de contas do projeto, provaria sua inocência. Pessoas próximas ao ator contam que ele acredita no silêncio como melhor resposta. “É inegável que as acusações prejudicam a captação dos recursos que faltam”, admite Daudt. “Ele nunca poderia imaginar que essa bola de neve chegaria onde chegou.”
A série não é a única
dor de cabeça do ator. Após sete
anos sem concluir Chatô (em fase
de pós-produção), ele foi
chamado a devolver R$ 30 milhões aos
cofres públicos – cálculo
que atualiza os R$ 8,5 milhões captados.
No ar em Bang Bang como o vigarista
Jeff Wall Street, ele espera o final das gravações
para se dedicar aos próximos capítulos
da novela cinematográfica.  |