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Livro
A Neve do Almirante
O colombiano Álvaro Mutis faz jogo de metalinguagem e homenagem ao escritor Joseph Conrad
 

O colombiano Álvaro Mutis, amigo de García Márquez, escreveu poucos livros. Um dos mais importantes é este A Neve do Almirante (Record, 210 págs., R$ 28,90), que começa como diário, com o autor encontrando num sebo um velho livro sobre o assassinato do duque de Orleans. Ao iniciar a leitura, ele descobre várias folhas escritas à mão. Trata-se do diário do aventureiro Gaviero, escrito durante a subida de um rio amazônico. Daí para frente, passamos a acompanhar o relato da viagem de Gaviero, que está lendo o livro sobre o duque de Orleans, e o cita com freqüência, num fascinante jogo de metalinguagem..

Mutis discute o primitivismo das populações ribeirinhas e o autoritarismo do Estado, mas o cerne da discussão é filosófico: as decisões que tomamos, os caminhos a que elas nos levam e o que poderíamos ter sido se a opção fosse outra. Gaviero é o alter ego do autor, mas sua aventura é homenagem a Joseph Conrad, não apenas pela subida do rio, como em No Coração das Trevas, mas porque o próprio Conrad foi um capitão que navegou um rio africano. No coração da Amazônia