A Máquina, estréia
no cinema do diretor João Falcão,
é uma adaptação do livro
homônimo escrito por sua mulher, Adriana
Falcão (levado ao teatro com sucesso
pelo mesmo João). Curiosamente o livro
não tem diálogos e a transposição
para o cinema obrigou os roteiristas João
e Adriana a se desdobrar.
Gustavo Falcão (sobrinho do diretor) é Antônio, um jovem criativo e sonhador, capaz de tudo para impedir que sua ambiciosa namorada Karina (Mariana Ximenes) deixe a pequena cidade de Nordestina, no sertão pernambucano. Para tanto, chega a viajar ao futuro, encontrando a si mesmo mais velho (feito por Paulo Autran).
O principal mérito de Falcão
foi recorrer a bons profissionais da área,
como o diretor de fotografia, Walter Carvalho
(Madame Satã e Carandiru).
Carvalho criou soluções visuais
de modo a transitar entre teatro, cinema e tevê.
Nesse sentido, a escolha dos atores foi feliz.
Gustavo atua num tom mais próximo ao
teatral (a exemplo do núcleo futurista),
enquanto o sotaque nordestino de Mariana, típico
de novela da Rede Globo, puxa a balança
para o lado televisivo. Wagner Moura e Lázaro
Ramos, que protagonizavam a peça (eram
quatro Antônios), fazem pequenas participações
afetivas.
A Máquina é uma comédia
com pitadas de ficção científica,
algo raro no cinema brasileiro, e tem a seu
favor uma narrativa ágil, que parece
inspirada em O Auto da Compadecida.
O resultado, se não é genial,
tem momentos divertidos e é forte candidato
a figurar entre as grandes bilheterias do ano.
Máquina de sucesso
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