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Sucesso
Um artista remontado

Ex-integrante do grupo Dominó, Rodrigo Phavanello largou a música para vencer como ator e, depois de dois anos desempregado, encontrou o sucesso em Alma Gêmea
texto: Carla Felícia
foto: LEANDRO PIMENTEL
Antes de ser chamado para a novela, Rodrigo fez comercial de clínica de estética, posou nu duas vezes e foi enterrado vivo num reality show
Quando decidiu deixar o grupo Dominó, em 2001, depois de sete anos enlouquecendo adolescentes, Rodrigo Phavanello tinha um projeto em mente: vencer como ator, seu sonho de infância, vivida em Campinas, interior paulista. Ele não imaginava, porém, que encontraria desvios pelo caminho. Foram quatro anos entre o ostracismo e o desemprego até fazer sucesso com seu primeiro papel numa novela, o ingênuo Roberval, de Alma Gêmea. No início, o medo de ser esquecido pelo público, aliado à falta de dinheiro para se manter sozinho em São Paulo, fez com que Rodrigo adotasse uma estratégia equivocada: aceitar qualquer convite para aparecer na tevê. Fez de tudo: de ser enterrado vivo num reality show da Rede TV! a comercial de clínica de estética.

“Minha vida estava bagunçada, fiquei meio perdido”, diz ele. “Não conseguia ver que nunca chegaria onde queria fazendo aquilo.” Foi preciso que a empresária Sílvia Goulart, que o ator acabou contratando depois, abrisse seus olhos. Orientou-o a sair de cena para concentrar as energias nos estudos e só voltar aos holofotes quando a proposta tivesse a ver com sua meta – o que incluía não aceitar novas propostas para fotografar nu. Ele já havia posado sem roupa duas vezes. Rodrigo seguiu os conselhos. Vendeu carro, computador e tudo que tinha de valor para tentar a sorte no Rio, em 2004. Sem o cachê da tevê e sem sucesso nos testes, teve que morar no apartamento de um amigo. “O dinheiro era contado, para comprar cigarro catava moedinha”, lembra Rodrigo, que começou a fumar para aliviar a tensão do desemprego.

Não foram poucas as vezes que ele pensou em desistir. Nessas horas, era dissuadido pelas palavras de incentivo e pela ajuda financeira da irmã mais velha, Andréa. “Ela me segurava”, conta o ator, com lágrimas nos olhos. Dois anos depois da retirada estratégica, o telefone tocou. “Jorge Fernando, quem?”, perguntou. “Jorge Fernando, diretor”, respondeu a voz do outro lado. “Você passou no teste de Alma Gêmea.” Era a senha para uma reviravolta na vida de Rodrigo. “Ele ia fazer um papel pequeno, mas sua atuação surpreendeu pela qualidade e por isso o Roberval cresceu muito”, conta o autor da novela, Walcyr Carrasco. “Ele é uma revelação, um galã que veio para ficar.”

O ator comemora a elogiada estréia, que lhe trouxe reconhecimento e uma vida mais estável. Hoje, vive num confortável apartamento no Recreio, zona oeste do Rio. O fim da novela não trouxe o fantasma do desemprego de volta. Na quinta-feira 16, Rodrigo começa a viajar pelo Brasil com a peça Preciso Dizer Que Te Amo, de Francis Meyer. E, depois de viver Pôncio Pilatos na Paixão de Cristo, de João Pessoa, passa uma temporada em Portugal, por conta do sucesso de Alma Gêmea no país. “É um grande recomeço”, festeja.