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‘‘Sonho em casar na igreja, porque amo igreja. Sou evangélica e fui criada na adventista do sétimo dia’’
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Um menino chamado... Luana

A atriz Luana Piovani estréia O Pequeno Príncipe, peça produzida por ela, diz que ficou um ano de luto após o
aborto natural que sofreu, conta como a terapia a ajuda
e fala de seu namoro
texto: Rodrigo Cardoso
fotos: CLAUDIO GATTI
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 Leia entrevista com Luana
 Leia resenha de O Pequeno Príncipe

Reza um ditado popular que a bolsa de uma mulher revela o estado de espírito de sua dona. A de Luana Elídia Afonso Piovani, aberta em cima da mesa, denunciava uma confusão: RG convivendo ao lado de papel de chiclete, ingresso do show do U2, Dorflex, nota de R$ 1... Não havia como escondê-la naquele camarim, no teatro Frei Caneca, em São Paulo. Para quebrar o gelo antes da entrevista, a atriz foi logo citando o tal ditado. Uma checada no visual em frente ao espelho e ela senta descalça no sofá. Perto de virar uma balzaquiana – faz
30 anos em agosto – Luana está a cara de um menino de dez.
A transformação surgiu do mergulho no personagem da peça
infantil O Pequeno Príncipe, que acaba de estrear em São Paulo
(leia resenha).

Para dar vida ao menino da história de Saint-Exupéry que cativou gerações de crianças – e de misses –, a atriz assumiu o desapego às madeixas de princesa. Podia ter resolvido o figurino com um disfarce em forma de peruca. Mas isso seria coisa de mulherzinha, ou de miss encantada com a leitura fácil do clássico de cabeceira. Para virar menino, Luana foi mais uma vez autêntica. Cortou o cabelo curtíssimo, o que não fazia desde os oito anos. “Tô parecendo o Piu-piu”, diz ela. “Já disseram que estou a cara da Sharon Stone – confesso que gostei – e com cara de inteligente.” O namorado, o jogador de pólo Rico Mansur, aplaudiu e disse que não sente falta do cabelão. “Agora ele me chama de pescocinho.”

No sábado 11, Luana e Rico pagavam o estacionamento após a estréia da peça quando uma criança gritou: “Ela é mulher!” No teatro, já tinha escutado: “Ele é menina!” A confusão é um bom sinal. Sinal de que tomou forma o príncipe Luana, que se esforça para perder a voz fina e doce e para não quebrar o quadril para o lado ao ficar de pé. “Também deixei a sobrancelha engrossar, faço o pé, mas não pinto e só corto unha com trim.”

Em meio às transformações, a atriz comemora uma certeza: “Este ano não tem como fazer novela. Depois de O Pequeno Príncipe, começo a ensaiar um monólogo. Vou passar o ano no teatro e estou soltando fogos”. O clássico de Exupéry é a segunda montagem para crianças de Luana, cujo sonho profissional é ser dona de um teatro e produzir os próprios infantis. A ser verdade a clássica frase de O Pequeno Príncipe, que és responsável por aqueles que cativa, Luana terá um futuro de muito trabalho com sua legião de fãs mirins.